País cria 112.334 novas vagas de trabalho com carteira assinada em janeiro, acima do esperado
Número superou mediana das estimativas colhidas pelo 'Projeções Broadcast', que indicava criação líquida de 92 mil vagas
SÃO PAULO E BRASÍLIA - O mercado de trabalho brasileiro abriu 112.334 postos de trabalho em janeiro, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira, 3, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O número superou a mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, que indicava criação líquida de 92 mil vagas (intervalo de 55.304 a 157.231 postos).
Dos cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas, quatro registraram saldos positivos em janeiro. O setor agropecuário registrou abertura de 23.073 vagas e a indústria geral criou 54.991 empregos, no saldo líquido. A construção civil foi responsável pela abertura de 50.545 vagas em janeiro, e o setor de serviços, por 40.525 postos de trabalho. Por outro lado, o comércio fechou 56.800 vagas no primeiro mês deste ano.
Em janeiro, foram registrados saldos positivos em 19 Estados. Santa Catarina abriu 19.000 postos, com crescimento de 0,7%, Mato Grosso abriu 18.731 postos e Rio Grande do Sul, 18.421 postos. As unidades com menor saldo foram Rio de Janeiro, com fechamento de 13.009 postos, Alagoas, com fechamento de 2.922 e Ceará, com fechamento de 1.291 postos.
O salário médio real de admissão em janeiro foi de R$ 2.339,78 um aumento de R$ 77,02 (3,3%) em relação a dezembro de 2025 (R$ 2.312,76). Já em comparação com o mesmo mês do ano anterior, que desconta mudanças decorrentes da sazonalidade do mês, o aumento foi de R$ 41,58 (1,77%).
No acumulado de 12 meses, de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026, os números mostram 1.228.483 contratações líquidas, 2,6% maior que o saldo observado no período anterior.
Saldo em 2026
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, projetou nesta terça-feira que o saldo de empregos formais de 2026 deve ficar no mesmo patamar ou superior ao de 2025. "Eu enxergo que o saldo do ano passado pode se repetir este ano, até com viés de crescimento, vai depender da circunstância do que a economia vai se comportar mês a mês", disse.
O mercado de trabalho formal registrou um saldo positivo de 1.279.498 carteiras assinadas em 2025.
Marinho lembrou que o mercado de trabalho depende do crescimento econômico no ano e voltou a cobrar a redução dos juros por parte do Banco Central. Ele disse esperar que o BC corte a Selic neste ano, ressalvando mudança de cenário principalmente externo.
Marinho disse que é preciso acompanhar interna e externamente a situação da economia, com guerras e outras decisões. "Nós sabemos dessas dificuldades que se impõem a partir de uma decisão maluca lá fora, ou uma decisão maluca no Congresso, enfim, qualquer decisão maluca interfere de forma a piorar o cenário", afirmou.