Diesel não deve cair no Brasil mesmo com queda do petróleo e reabertura do Estreito de Ormuz; entenda
Especialistas apontam que defasagem de preços e incerteza geopolítica limitam impacto nas bombas
O Irã anunciou nesta sexta-feira, 17, a reabertura total do Estreito de Ormuz para a passagem de embarcações durante o período de cessar-fogo com Israel firmado no Líbano. A passagem foi um dos principais pontos de tensão da guerra com os Estados Unidos, fazendo com que o preço do barril de petróleo disparasse no mercado internacional acima de US$ 100.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Logo após o anúncio, os preços do petróleo despencaram mais de 10%. Os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, estavam em queda de US$ 10,38, ou 10,5%, a US$ 88,95 o barril, por volta das 11h (horário de Brasília), depois de caírem para uma mínima de sessão de US$ 87,71.
Os contratos futuros do petróleo West Texas, referência do mercado americano, caíam US$ 10,50, ou 11%, para US$ 84,28 o barril, depois de atingirem US$ 83.
Para o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã troz alívio momentâneo ao mercado internacional de petróleo, mas o cenário ainda é instável.
“Esse anúncio da abertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, enquanto Israel não atacar mais o Líbano, é uma medida importante, tanto importante que o preço do petróleo caiu. Agora, é uma notícia que pode virar da noite para o dia. O Donald Trump está falando que também vai continuar tomando conta lá do Estreito de Ormuz. Então, não é nada para a gente achar que está tudo resolvido. Está longe de estar resolvido”, afirma.
Segundo o economista, mesmo em um cenário mais estável, não há expectativa de queda relevante no preço dos combustíveis no Brasil.
“Agora, se tudo ficar resolvido, eu não acredito em petróleo abaixo de 80 dólares. Então, portanto, não me parece que o preço do diesel no Brasil vai cair, não. A defasagem está muito grande e não há nenhum cenário de queda de preço do diesel com esses preços de petróleo entre 80 e 100 dólares”, conclui.
Na mesma linha, o analista Vitor Sousa, da Genial Investimentos, afirma que a recente queda do petróleo tende mais a reduzir distorções do que baratear o diesel nas bombas.
“O preço do diesel não vai cair nas bombas porque o preço do diesel já operava com defasagem em relação à paridade. Então, na realidade, era para o governo ter reajustado ainda mais o preço do diesel, o que acabou não acontecendo. Então, o que vai acontecer é o seguinte: com o preço do petróleo caindo, a paridade vai ficar menor. Assim, o subsídio implícito que as refinarias vinham fazendo para o preço final na bomba tende a diminuir, já que a matéria-prima comprada ficará mais barata”, explica.
Reabertura de Ormuz
A reabertura do Estreito de Ormuz foi uma das reivindicações feitas pelos Estados Unidos nas negociações entre as duas partes. Os navios poderão circular livremente pela região no período de trégua entre os dois países, que deve terminar na próxima quarta-feira, 22.
A rota é estratégica para o escoamento de petróleo, gás e derivados do Golfo Pérsico. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um post em sua rede social, a Truth Social, em que agradeceu ao Irã pela reabertura.
"O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada. Agradeço a sua atenção a este assunto! Presidente Donald J. Trump", disse.
Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, o Irã fechou a passagem, que é a única saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde ficam os grande produtores de petróleo. O estreito costuma ter circulação de navios com 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo inteiro.
-rhivfwtppik1.jpg)
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.