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'Países protecionistas querem afetar a imagem do Brasil', diz liderança do agronegócio

Presidente da Sociedade Rural Brasileira, Marcelo Vieira, diz que o governo brasileiro está na direção correta sobre discussões ambientais

23 ago 2019
20h29
atualizado às 21h23
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O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Vieira, vê com preocupação as repercussões internacionais sobre os incêndios na Amazônia. Vieira teme que as discussões sobre uma possível revisão do acordo entre Mercosul e União Europeia, colocado em xeque após o presidente da França, Emmanuel Macron, dizer que pode se opor sobre o tratado, sejam levadas adiante. "Os países protecionistas estão se aproveitando da situação para afetar a imagem do Brasil", disse. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como a Sociedade Rural Brasileira está acompanhando esta crise ambiental, provocada pelos incêndios na Amazônia?

As queimadas são preocupação constante todo ano por conta do tempo seco. Para o agricultor, é um problema, porque os incêndios destroem plantações inteiras. O incêndio na Amazônia este ano está acima do normal. O governo federal está falando em montar uma força-tarefa para solucionar o problema. É a estratégia correta. O que estava faltando era uma estrutura de controle disso.

Criou-se uma discussão internacional, com países europeus colocando em risco até o acordo bilateral Mercosul-União Europeia. Há pesadas críticas desses países em relação ao comando do presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto. Houve negligência do governo brasileiro?

Não, pelo contrário. Isso são coisas dos países concorrentes do Brasil, protecionistas, que estão aproveitando a situação para afetar a imagem do Brasil. Há uma grande preocupação do governo sobre a questão do desmatamento, e também agora com os incêndios. O Ministério do Meio Ambiente está discutindo o assunto. Agora, é um trabalho difícil, que traz resultados de longo prazo. A estrutura de controle é fraca. O governo tem discutido a criação de estruturas para coibir o desmatamento ilegal, por grileiros e madeireiros.

Esse assunto é pauta na Sociedade Rural Brasileira?

Claro. Estamos em discussão com os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente sobre políticas mais eficazes para combater esses problemas.

Com o sr. vê as recentes declarações do presidente Bolsonaro de que no Brasil não há desmatamento? Ele até voltou atrás nessa discussão, mas isso prejudica a imagem do País?

Eu não acompanhei isso. As discussões dentro dos ministérios e no governo estão indo na direção correta.

A discussão sobre países europeus poderem bloquear o acordo entre o Mercosul e a União Europeia preocupa?

Os protecionistas da UE vão colocar toda e qualquer motivação para dificultar o acesso da produção brasileira. Mas não deve afetar o acordo. Essa discussão entre os dois blocos ainda vai ser bastante intensa nos próximos anos.

E no curto prazo? O presidente da França, Emmanuel Macron, está liderando essas discussões. Quais serão os impactos para o Brasil?

Esse acordo entre UE e Mercosul vai demorar muito antes de ser concluído. Os políticos mais radicais, como Macron, tendem a se aproveitar (da situação). Não acredito que as discussões de agora vão interferir num acordo de longo prazo.

O sr. acha que o desmatamento afeta a imagem do Brasil lá fora? Há uma impressão no exterior de que o País não tem controle disso?

Causa preocupação. O produtor responsável e sustentável de madeira do Brasil sofre concorrência com o desmatamento ilegal. Temos de trabalhar efetivamente pela implementação do nosso Código Florestal e não aceitar de jeito nenhum desmatamento florestal.

O agronegócio brasileiro ainda é visto como vilão?

Sim, nossos concorrentes trabalham diretamente para deturpar a nossa imagem. Temos uma das melhores legislações do mundo sobre a agricultura. Somos os maiores produtores de alimentos do mundo. Muitos países não têm estrutura de trabalho no campo socialmente justa e responsável que temos no Brasil e ficam trabalhando o tempo todo para nos atacar.

A discussão sobre os incêndios da Amazônia está sendo usada indevidamente?

Todos estão realmente preocupados com a Amazônia, mas muitos aproveitam para trabalhar uma agenda própria.

Estadão
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