Operação Carbono Oculto: Ilegalidade é um câncer que toma conta do nosso país, diz Ometto, da Cosan
Operação deflagrada na manhã desta quinta-feira, 28, em São Paulo e outros sete Estados mira a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis
O empresário Rubens Ometto, presidente do conselho de administração e controlador da Cosan, disse que a ilegalidade "é um câncer que está tomando conta do País".
Ometto deu a declaração quando questionado sobre a Operação Carbono Oculto, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 28, em São Paulo e outros sete Estados, contra a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
Ao deixar o painel do 33º Congresso da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, o empresário foi informado por jornalistas da alta de mais de 10% que as ações da Raízen, empresa de energia renovável do Grupo Cosan, atingiram após a operação. "Só?", limitou-se a dizer.
Ometto disse que, quando a empresa comprou os ativos de distribuição de combustíveis da Esso, em 2008, o motivo que levou a companhia estrangeira a deixar o País foram problemas ligados à ilegalidade e concorrência desleal no mercado brasileiro.
"Quando compramos a Esso, foi pelo mesmo motivo que vemos nos jornais hoje: adulteração de combustíveis, entre outras coisas", afirmou.
No painel no evento, o empresário ainda comentou que, em sua visão, os juros do País hoje são "um convite aos empresários para serem vagabundos".
Ometto disse ainda que a compra de participação na Vale foi um erro em sua carreira: "Um mau negócio, no qual perdemos dinheiro". Ele disse ainda que os acionistas da mineradora têm perfil muito financeiro e não de empresário, para quem o lucro não é tudo.
ICL manifesta apoio à ofensiva contra o crime
O Instituto Combustível Legal (ICL) manifestou "total apoio" a operações em andamento nesta quinta-feira contra a presença do crime organizado no setor de combustíveis.
Em nota, a instituição destaca o fato de que somente a Operação Carbono Oculto foca em 350 alvos com mandados de prisão, busca e apreensão em sete Estados brasileiros para desarticular um esquema criminoso no setor de combustíveis.
"Existem suspeitos da prática de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato, reforçando a necessidade de a sociedade estar atenta à expansão do crime organizado em setores formais, seguindo o exemplo da máfia pelo mundo", afirma o Instituto.
O ICL diz ainda que, além de lavar dinheiro ilícito e afetar diretamente a segurança pública, a atuação do crime no setor impacta diretamente a arrecadação de impostos e as políticas públicas, a concorrência entre os bons operadores do setor e o dia a dia dos milhões de motoristas que compram combustível diariamente.
"Temos alertado para a entrada do crime organizado no setor de combustíveis nos últimos anos, causando enormes prejuízos econômicos e sociais. Acreditamos que esta operação pode ser um marco em nossa sociedade para deixar claro, através de ações, que o Brasil não está disposto a tolerar práticas ilícitas. Reforçamos também a urgência na aprovação de leis que punam, de forma exemplar, devedores contumazes e quem mais buscar brechas para atuar de forma ilegal", afirma o presidente do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz.