Oncoclínicas busca opções após Porto e Fleury desistirem de negociações, ação despenca
A Oncoclínicas afirmou nesta terça-feira que continuará avaliando opções para reestruturar sua situação financeira, após fim de conversas com Porto Seguro e Fleury, que desistiram de investir na empresa.
Porto Seguro e Fleury decidiram não renovar período de conversas reservadas com a Oncoclínicas, afirmou a companhia em fato relevante, citando que entre as opções estão "aquelas surgidas nas últimas semanas que não puderam ser exploradas, tendo em vista a exclusividade então em vigor".
Fleury e Porto Seguro também relataram o fim das negociações sem detalhar a razão de não seguirem com as tratativas.
O acordo não vinculante assinado em março previa um aporte conjunto da Porto e do Fleury de R$500 milhões na nova companhia, além da emissão de R$500 milhões em debêntures conversíveis em ações ordinárias pela nova empresa, que seriam subscritas por Porto e/ou Fleury.
Por volta de 10h20, na bolsa paulista, as ações da Oncoclínicas caíam 8,13%, a R$1,13, enquanto os papéis da Porto Seguro cediam 0,37%, a R$53,42, e os do Fleury tinham elevação de 1,16%, a R$17,46.
Para analistas do BTG Pactual, tal desfecho era algo até certo ponto esperado. "Dada a complexidade da transação e a profundidade da due diligence necessária, acreditamos que o processo provavelmente evidenciou os desafios presentes na atual situação financeira da Oncoclínicas", afirmaram Samuel Alves e Maria Resende, em relatório a clientes.
"Em nossa visão, a combinação de um alto nível de endividamento e possíveis passivos fora do balanço torna difícil para grupos bem capitalizados como Fleury e Porto avançarem com uma injeção de capital em condições aceitáveis de risco-retorno."
SUSPENSÃO DE OBRIGAÇÕES
A Oncoclínicas ainda afirmou nesta terça-feira que fez pedido à Justiça de São Paulo para determinar a suspensão de efeitos de toda e qualquer cláusula contratual que imponha vencimento antecipado de dívidas.
A equipe do BTG Pactual reiterou a recomendação neutra para as ações da Oncoclínicas, ressaltando que a empresa ainda enfrenta um processo de reestruturação complexo com seus credores "e, embora haja indicações de propostas alternativas envolvendo acionistas de referência, a visibilidade permanece limitada neste momento".
"Continuaremos a acompanhar de perto os desdobramentos para avaliar melhor as implicações tanto para a estrutura de capital quanto para a continuidade operacional."
(Edição Alberto Alerigi Jr.)