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O futuro do trabalho é remoto e não tem pátria

O que era uma tendência em alguns setores, hoje é a regra em outros. Híbrido ou não, o trabalho do futuro é remoto e apátrida.

2 out 2021 07h00
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Bernardo Carvalho analisa as perspectivas do futuro do trabalho
Bernardo Carvalho analisa as perspectivas do futuro do trabalho
Foto: Arquivo Pessoal

Para muitos, não há mais o "sair para trabalhar", e não há, sequer, o "tirar o pijama" para conduzir uma reunião. O trabalho invadiu os lares sem pedir licença há mais de um ano, quando o deslocamento até o escritório virou uma ameaça à saúde.

O home office já era discutido antes da chegada da pandemia de Covid-19 e hoje virou um dos critérios básicos para atrair os melhores profissionais do mercado. Há quem ame, há quem odeie e há, também, os que preferem o meio termo.

É o caso do Google, que sinalizou recentemente em uma entrevista à Revista Time, que os escritórios da gigante serão transformados para dar boas-vindas ao modelo híbrido.

Se o home office já era uma tendência em ascensão em muitas áreas, para os profissionais de tecnologia e design é uma realidade não tão recente. Com a internet, o céu é o limite.

Não há mais barreiras geográficas ou deslocamentos de 2h para participar de reuniões que poderiam ser resolvidas apenas com um e-mail ou videochamada.

Muito além da segurança, a flexibilidade para transitar entre o escritório e o sofá de casa garante ao colaborador a autonomia que pode ser muito útil em processos criativos. Por isso sempre falo que o futuro não tem barreiras, nem nacionalidade, ele tem endereço eletrônico e pode ser acessado de qualquer lugar do mundo.

Uma pesquisa recente realizada pelo banco Credit Suisse com 14 mil pessoas de 8 países mostrou que os brasileiros que podem trabalhar remotamente aprovam e pretendem manter o home office. Entre a amostra da pesquisa feita com os consumidores do Brasil, 62% trabalham de casa e 90% pretendem fazer mais compras online no próximo ano. 

A aceitação da flexibilização do trabalho é uma realidade, pois passou a ser critério fundamental para boa parte dos profissionais de tecnologia.

A América Latina é uma das regiões mais urbanizadas do mundo. No México, por exemplo, a terceirização de profissionais de Tecnologia da Informação cresce de 10% a 15% todos os anos, de acordo com o Banco Mundial.

Com as transformações digitais impulsionadas pela tecnologia, o mercado para os profissionais tech está cada vez mais aquecido e as empresas deste segmento vão ainda além: optam por contratar profissionais na modalidade anywhere office.

Remotamente, há uma infinidade de possibilidades a serem exploradas, inclusive em grandes empresas fora do País.

E como não faltam vagas para talentos digitais, o mercado faz o caminho inverso: se adapta às necessidades dos colaboradores, não o oposto. Profissionais de tecnologia nunca foram tão requisitados e este é um movimento global.

Fazendo um recorte nacional, a procura por profissionais de TI será de 420 mil pessoas até o fim de 2024, de acordo com um levantamento feito pela Brasscom, associação que reúne empresas de tecnologia da informação.

Isso abre precedentes para que as empresas busquem candidatos estrangeiros para ocupar os postos, e também abre um leque de oportunidades para brasileiros que querem ter a experiência de trabalhar remotamente para empresas sediadas no exterior, sem precisar se deslocar minimamente.

(*) Bernardo Carvalho Wertheim é CEO da The Bridge.

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