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O correspondente bancário será a agência do futuro

Os correspondentes bancários estão presentes em 5.570 cidades segundo o Banco Central.

25 fev 2022 03h00
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Ney Pereira, da 3C Plus
Ney Pereira, da 3C Plus
Foto: Felipe Bahls

No ano passado, o Banco Central divulgou que 43,4% (2.427) das cidades brasileiras não possuem agências bancárias. O movimento de redução de espaços físicos de bancos vem crescendo desde 2016 com o processo de digitalização do sistema financeiro, ganhando força em 2020 com a pandemia de Covid-19.

Com o distanciamento social e os cuidados contra o vírus, os clientes passaram a usar ainda mais os canais remotos dos bancos, disponíveis via aplicativos em celulares e tablets ou pelo internet banking, acesso pelo navegador do computador. Mas não foi somente isso que possibilitou aos bancos fecharem algumas portas.

Por mais que tenha diminuído a necessidade de contato 1x1, muitos clientes ainda precisam de atendimento presencial e é aí que entra o correspondente bancário. Por isso, podemos afirmar que o Corban será a agência do futuro. A oferta de serviços por correspondentes bancários foi a solução encontrada para evitar que muitos brasileiros não fiquem sem atendimento, seja para assistência presencial ou por não terem acesso à internet.

Além de empréstimos e financiamentos, os bancos disponibilizam por esse canal serviços básicos como abertura de conta, solicitação de cartão de crédito, pagamento de boletos e saques de benefícios disponibilizados pelo governo.

Ampla presença e novo modelo de empréstimo

Os correspondentes bancários estão presentes em 5.570 cidades segundo levantamento feito pelo Banco Central, o que representa ao menos um correspondente por município brasileiro. Acredito que o Corban tem uma grande oportunidade de crescimento, não só pelo aumento da demanda por seu atendimento, mas também pelo avanço do mercado.

Em termos de produto, o correspondente bancário movimentou cerca de 100 bilhões de reais em crédito no ano de 2021, o que representa 40% do mercado. Com a disponibilização do empréstimo de saque antecipado do FGTS, a previsão é que eles passem a movimentar mais de 400 bilhões de reais.

No final de 2021, o Banco do Brasil anunciou que firmou um acordo com a administradora de correspondentes bancários e passará a vender seguros por meio desse canal. Quanto aos bancos privados, Itaú e Bradesco são os que mais têm aumentado as ofertas de vendas por correspondentes bancários e fechado agências físicas.

Bancos digitais também miram no correspondente bancário

Alguns bancos digitais já consideram utilizar os canais de correspondente bancário para crescer e alcançar mais clientes. Um exemplo prático de sucesso é o Banco Pan, instituição financeira controlada pelo Banco BTG Pactual S.A. e pela Caixa Participações S.A., que oferece conta digital. 

O Banco Pan optou por serviços presenciais contando com mais de 700 correspondentes bancários distribuídos pelo Brasil, que além da abertura da conta digital também podem oferecer empréstimos e financiamentos.   

Essa prática pode ser seguida por outros bancos que já têm experimentado parceria com lojas físicas como estratégia de crescimento. Um exemplo é o C6 Bank, que desde 2020 conta com uma parceria com a Tim, o que atraiu mais de 200 mil clientes ao banco digital em apenas três semanas. De um lado o banco oferece créditos extra para cada recarga efetuada via aplicativo, do outro a operadora indica em suas lojas a abertura da conta digital para parcelamento de smartphone sem juros e acesso a cartão sem anuidade.

Momento de qualificação e profissionalização

Para aproveitar as oportunidades, o correspondente bancário precisa estar atento às regras e buscar a melhor relação com os bancos contratantes. A partir de fevereiro de 2022 entrará em vigor a nova regulamentação sobre correspondentes no país, definida pelo Conselho Monetário Nacional.

O foco da instituição é reduzir problemas de conduta relacionados à empréstimos consignados e aprimorar a regulamentação para a função de débito em conta, o que deve garantir mais segurança aos usuários desse canal. Essa norma também possibilita aos correspondentes atuarem de forma digital, prática que tem crescido no setor nos últimos anos. Já para as instituições financeiras garante mais mecanismos de controle e monitoramento sobre a atuação dos correspondentes.

Já observamos um movimento voltado para a melhora no processo, agora é o momento do Corban buscar se qualificar e profissionalizar seu atendimento. Algo que pode contribuir para o sucesso do Corban é a contratação de ferramentas que auxiliam na gestão dos negócios e geram relatórios que podem ser compartilhados com os bancos, garantindo mais segurança e transparência em suas atividades.

(*) Ney Pereira é CFO e sócio da 3C Plus.

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