Novo líder do PT defende rever autonomia do BC e diz que falta de controle 'deu no Banco Master'
Deputado Pedro Uczai afirma que taxa de juros a 15% é 'abusiva e criminosa' e cobra 'casamento entre as políticas econômica, financeira e monetária'
BRASÍLIA - O novo líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), disse ao Broadcast Político, nesta sexta-feira, 6, que defende a revisão da autonomia do Banco Central para uma "autonomia relativa". O petista tomou posse nesta semana no cargo, no lugar do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Questionado se vê força política no Congresso para revisar a autonomia do Banco Central, Uczai disse ser "teimoso".
Na ocasião, Uczai foi questionado sobre a sua avaliação da gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central, uma vez que a taxa de juros segue em 15%. "A taxa de juros a 15% é abusiva e criminosa. Criminosa, no sentido de uma política monetária que transfere renda do setor produtivo, do setor do consumo para o setor financeiro", afirmou.
Uczai prosseguiu: "Agora, questiona-se a autonomia do Banco Central, aprovada aqui no Congresso. O problema não é a indicação do presidente Lula, o problema é a autonomia do Banco Central dada ao presidente para ele fazer a política monetária em contradição à política fiscal e à política econômica do governo".
O petista continuou: "A segunda grande contradição é que a autonomia do Banco Central permitiu flexibilizar regras da instituição sem controle social do Congresso, do Tribunal de Contas e do Executivo. E deu o Banco Master. O Campos Neto flexibilizou, permitindo títulos podres. O Banco Central se serviu, no período de Campos Neto, a flexibilizar práticas ilícitas no setor financeiro".
Em seguida, Uczai foi questionado se vê força política para a revisão da autonomia da instituição. O deputado respondeu: "Água mole em pedra dura. Eu sou um cara teimoso. Tem que fazer um casamento, não retirando totalmente a autonomia do Banco Central, mas tem que ter uma autonomia relativa".
O deputado acrescentou: "Tem que ter casamento entre as políticas econômica, financeira e monetária. Hoje, a política monetária concentra renda no setor financeiro e nos especuladores. Isso é uma ofensa à economia brasileira".