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Nova bolsa será lançada até o início de 2027 com 'tarifas mais justas', diz CEO da Base Exchange

Segundo Claudio Pracownik, CVM já encerrou período de testes e avaliação técnica do BC deve começar após o Carnaval

6 jan 2026 - 11h46
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RIO - Controlada pelo Mubadala, a Base Exchange planeja romper o monopólio da B3 até o início de 2027, ao lançar uma nova bolsa de ações à vista com clearing (sistema para intermediar e minimizar riscos das negociações) própria. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, o CEO da Base, Claudio Pracownik, conta que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já encerrou o período de testes e que a avaliação técnica do Banco Central deve começar após o Carnaval.

Com estrutura enxuta, tecnologia proprietária e sistemas em nuvem, a Base aposta na redução do custo total das operações. "Vamos ter tarifas mais justas", afirma Pracownik, citando a busca por chamadas de margem mais racionais e liberação rápida de garantias. Experiências internacionais, ressalta, mostram alta de até 25% no volume de negócios e queda de até 30% no custo implícito quando surge uma segunda bolsa num mercado até então monopolizado.

Para o futuro, o executivo aposta em uma consolidação do setor com a entrada de outras bolsas no mercado brasileiro. "Temos potencial para ser consolidador porque temos um acionista relevante. Vamos fazer isso? O Conselho de Administração vai decidir, o acionista vai decidir", afirma.

A seguir, os principais pontos da entrevista:

Quando a Base Exchange será lançada?

Como isso nunca foi feito antes, é difícil fazer previsão. Os testes do BC devem começar depois do Carnaval. Não depende só da gente, mas meu cronograma prevê o primeiro trading no final de 2026. Se não for, será no início de 2027. Porque certas medidas, como a integração tecnológica, só podem ser tomadas a partir da aprovação dos reguladores, não tem como adiantar. Nenhuma corretora pode se integrar à bolsa sem que a bolsa esteja autorizada. As companhias abertas só podem levar para os conselhos após a aprovação.

Para Pracownik, país poderá ter janela para IPOs no segundo semestre se o mercado ficar contente com o vencedor da eleição presidencial
Para Pracownik, país poderá ter janela para IPOs no segundo semestre se o mercado ficar contente com o vencedor da eleição presidencial
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O que ainda está pendente?

Na CVM, estamos bem acelerados, os testes já foram realizados, o BC participou como ouvinte. Ambos disseram que ficaram satisfeitos. Na CVM, o próximo passo é a decisão do colegiado, mas o processo está em suspenso até que se concluam os testes do BC, nos quais a CVM é ouvinte, porque as operações serão liquidadas na nossa própria clearing (instituição responsável por registrar, compensar, liquidar e garantir as operações).

A clearing é um obstáculo à aprovação pelos reguladores?

Não, eu entendo o BC. Estão fazendo exigências para colocar a clearing no mais alto nível e ser um benchmark para futuros entrantes.

Como enxerga o cenário para 2026?

Se o mercado ficar contente com o vencedor da eleição presidencial, no segundo semestre, poderemos ter uma janela para IPOs. A gente gostaria de ter lançado a bolsa o mais rapidamente possível, mas, olhando o copo meio cheio, a gente viria (após a eleição) num momento mais estável e, quem sabe, mais otimista para aberturas de capital. (...) Sou sempre um otimista, acho que após a eleição teremos uma melhora.

A CSD BR é outra com planos de bolsa de valores num horizonte de três anos. Como o senhor enxerga esse movimento?

Vai ser bom para o mercado se eles apresentarem um produto de qualidade. Vão poder usar a nossa clearing, se quiserem.

Vocês pensam em fusões?

Isso é assunto do nosso controlador. O cenário atual é de monopólio. Os concorrentes que entraram são tímidos perto do poder da B3. Haverá uma consolidação, em algum momento, pois todos os novos mercados passam por isso, se reorganizam de forma eficiente. Temos potencial para ser consolidador porque temos um acionista relevante. Vamos fazer isso? O Conselho de Administração vai decidir, o acionista vai decidir.

O senhor diz que a existência de uma segunda bolsa em operação vai atrair mais liquidez. Em quanto estima esse volume?

Sim, investidores lá de fora comentam que têm mais segurança nas praças onde há mais de uma bolsa, mais de uma clearing. O investidor pode fazer hedge de uma posição, entrar, sair do mercado. E tem experiências em que houve aumento do volume de 20% a 25% e redução do custo implícito de 25% a 30% nos anos seguintes à instalação da concorrência.

A Base aplicará tarifas mais baixas?

Este não será o nosso diferencial. Teremos tarifas mais justas. Será decisão do conselho. (...) Pretendemos ser mais eficientes nas chamadas de margem. É um custo implícito. Quanto dinheiro vou estar chamando? Não posso perder segurança na liquidação, mas estamos propondo ao regulador chamadas de margem que entendemos serem mais eficientes. Estamos propondo a redução de forma opcional no ciclo de liquidação para liberar as garantias mais cedo, liquidar mais rapidamente as operações. Isso diminui o custo de oportunidade e o custo das operações.

Como seria a liquidação mais acelerada?

A obrigação da liquidação em d+1 teria de ser aprovada pelo regulador. (...) Nós estamos propondo uma redução do ciclo de liquidação de alguns ativos desde que o BC aprove e de forma opcional. O BC fez uma consulta pública, da qual deve vir uma norma. Nós estamos prontos para d+1. Temos tecnologia para liquidar em qualquer prazo.

Em relação a custos, a nova bolsa pretende se diferenciar?

A gente vai ser muito mais barato, porque temos menos pessoas, menos provedores de serviços, e por sermos proprietários (da tecnologia). Temos uma sede mais modesta, não temos museu, não temos CPD (centro de processamento de dados) próprio. (...) A parte financeira está na nuvem, o que aumenta a escalabilidade. É tecnologia de ponta hoje. Daqui a dois anos, quem começar vai ter tecnologia de ponta e vamos ter de correr atrás.

Quando a Base estará ganhando dinheiro?

São tantas variáveis que não consigo dizer. Uma vez que lancemos a bolsa, devemos atingir o break-even (ponto de equilíbrio) em um ano ou um ano e meio. Daí tem de buscar o payback (retorno) para pagar o investidor. (...)

Haverá criptoativos na Base?

Neste momento, não. São ativos com fundamentos econômicos diversos, apetites distintos, e que concorrem com os ativos da bolsa na alocação de capital. (...) Pode ser que no futuro a infraestrutura relacionada a cripto — blockchain — venha a ser usada, principalmente para a parte de depositária. A necessidade de operar 24x7 foi o criptoativo que trouxe. Serve de parâmetro e de estímulo para certas mudanças.

Com quais ativos a Base vai começar?

Vamos começar com mercado à vista, de ações, aluguel, cotas de FIIs, ETFs e BDRs. Para a etapa seguinte, estamos prontos para protocolar o mercado de futuros e derivativos. Não protocolamos ainda por orientação do regulador. Isso alongaria o prazo de aprovação da Base. Mas, uma vez que a empresa esteja funcionando com o mercado à vista, vai poder crescer aprovando outros produtos.

O ex-presidente da CVM João Pedro Nascimento falava sobre mercado funcionando 24x7. O Brasil tem essa possibilidade?

No curto prazo, não. Se a gente chegar a 2029 com liquidação em d+1 obrigatória já é um grande ganho. A gente já está na rabeira dos outros mercados, que vão chegar bem antes. (...) A pressão do mercado para aumento de liquidez e extensão do prazo de negociação deve acontecer antes da redução do prazo de liquidação. A gente vai ter uma negociação mais ampla e ainda vamos conviver com o tempo de liquidação atual.

O mercado brasileiro está desatualizado ante os pares globais?

É sobre conjugação de inovação com segurança. O país é muito seguro e falta inovação. É sempre uma escolha do novo gestor: quero inovar ou quero segurança? A ideia é buscar equilíbrio. A gente está muito do lado da segurança e abrindo pouco espaço para a inovação — isso inclui a parte regulatória, taxas, impostos, estímulos ao mercado. Em momentos de crise global, este perfil foi conveniente, o Brasil foi mais seguro que muitos países, inclusive os EUA. Mas, em momentos de crescimento, a gente fica para trás porque está muito amarrado. Precisamos melhorar esse equilíbrio (...) O Brasil tem preferido não correr certos riscos. É como proteger demais um filho.

Como o senhor vê a tributação dos dividendos?

O mercado vai receber menos volume, considerando o reinvestimento dos dividendos. Mas acho que há mais impacto quando se faz a tributação de ativos incentivados.

Estadão
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