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Natura impulsiona Avon no Brasil com ações de inclusão para consultoras, em meio à venda no exterior

Companhia terá duas novas iniciativas relacionadas à saúde e digitalização de 1,6 milhão de revendedoras diretas no País, e diz que venda de operação internacional da Avon não afetará marca no mercado doméstico

26 set 2025 - 14h42
(atualizado às 18h07)
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Poucos dias após comunicar ao mercado o desinvestimento em divisões internacionais da Avon, a Natura anunciou a implementação de estratégias que devem contribuir para o fortalecimento da operação da marca no Brasil via impacto social, ao focar nas suas consultoras de venda direta. A companhia lançou duas novas iniciativas para essa comunidade voltadas para estímulo de renda, acesso à saúde e inclusão digital.

As profissionais, que somam 1,6 milhão de consultoras entre vendedoras da Avon e da Natura (ou de ambas), terão acesso, a partir de outubro, ao Saúde Protegida, um seguro contra acidentes pessoais e com assistências em saúde, desconto em remédios e bem-estar (com consultas preventivas e exames de saúde da mulher, por exemplo), com mensalidades a partir de R$ 7,90.

Além disso, poderão vender de forma integrada produtos da Natura e Avon em um site específico para cada consultora chamado "Minha Loja", que foi disponibilizado a partir do dia 18 deste mês, após fase de testes. Anteriormente, elas não tinham espaço online para comercializar seus produtos da marca Avon.

A companhia anunciou ainda o programa Criadores da Beleza, com 600 consultoras selecionadas por critérios de diversidade racial, etária e regional, atuando como criadoras de conteúdo e influenciadoras. O foco do projeto é disponibilizar formação e ferramentas para acelerar a profissionalização das vendas via influência digital e dar visibilidade para as consultoras nas redes sociais.

Os temas foram abordados por executivos da companhia nesta quinta-feira, 25, em uma apresentação para jornalistas. Estiveram presentes no evento o presidente do Instituto Natura, David Saad, a diretora de Novos Negócios da Natura, Cecília Ribeiro, e a diretora de Venda Direta de Natura e Avon, Maria Eduarda Cavalcanti.

Ao Estadão Cavalcanti disse que os projetos anunciados mostram o avanço das ações de integração entre Natura e Avon no Brasil, já comunicadas ao mercado, mostrando que está mantido o fortalecimento da marca no País, sem interferência do movimento de vendas das fatias internacionais nas estratégias do mercado doméstico e na América Latina.

"A marca Natura e a marca Avon seguem trabalhando fortemente na América Latina", afirma a diretora. "Estamos passando por um período de integração das duas marcas, incluindo a integração na nossa força de vendas, e há também uma integração de todos os nossos objetivos de impacto. As nossas consultoras estão trabalhando com as duas marcas."

Os programas de reforço de acesso à saúde e à profissionalização digital das revendedoras recém-anunciados foram desenvolvidos para sanar dores percebidas a partir de diagnósticos internos. O quadro mostra, positivamente, que 81% delas já usavam algum tipo de ferramenta digital para trabalhar. No entanto, 33% da deixou de comprar remédios para si ou para um familiar nos últimos seis meses, e a média de renda comprometida com medicamentos subiu para 22% em 2024.

"Entendemos que preocupação com a saúde é algo que devemos endereçar. Temos que investir não só na digitalização, na criação de conteúdo, que é importante para impulsionar os negócios, mas entendemos que a visão de 'regeneração' tem que ser um pouco mais ampla, também focada em capital humano", avalia Ribeiro.

Vendas diretas

O trabalho das consultoras de beleza é parte significativa para os negócios da companhia. Segundo dados de balanço do segundo trimestre de 2025 da organização, 87% da receita líquida da Natura correspondeu ao formato de vendas diretas, enquanto vendas no site e no varejo corresponderam, juntas, a apenas 13%.

No caso da Avon, que não possui lojas no varejo, a força das vendas diretas é ainda maior: 98% da receita líquida da marca foi obtida por meio dessa modalidade. Somente 2% corresponderam às vendas digitais na loja virtual. O formato de vendas porta a porta é responsável pela popularidade da marca ao longo dos anos, tendo sido usado predominantemente pela empresa desde sua criação, em 1886.

Estadão
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