Moody's revisa para cima projeções de crescimento dos EUA e da China em 2025 e 2026
Ao mesmo tempo, agência de classificação de crédito corta as estimativas para França e México e vê expansão 'estável, porém moderada' para a economia mundial entre 2026 e 2027
A Moody's revisou para cima suas projeções de crescimento para os Estados Unidos e a China em seu relatório global de novembro, enquanto cortou as estimativas para a França e o México. A agência, uma das principais classificadoras de risco de crédito no mundo, vê um quadro de expansão "estável, porém moderada" para a economia mundial entre 2026 e 2027.
Segundo o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA deve avançar 2,0% em 2025 e 1,8% em 2026, acima da previsão anterior de 1,5% para os dois períodos. A melhora reflete gastos do consumidor mais fortes e o impulso do investimento em inteligência artificial (IA).
No caso da China, a Moody's elevou a estimativa de crescimento para 4,5% em 2026, ante 4,0% previsto antes, diante dos estímulos e exportações, embora a demanda doméstica siga "moderada".
Em direção oposta, a agência reduziu a projeção para a França, citando incerteza política e menor confiança empresarial. O crescimento francês em 2026 foi revisado de 1,2% para 0,9%. O México também teve corte relevante: a expectativa para 2026 passou de 1,7% para 1,2%, diante do investimento fraco e maior incerteza sobre mudanças na dinâmica comercial.
A Moody's manteve a previsão de que o crescimento global ficará entre 2,5% e 2,6% em 2026-27, abaixo de 2024 e 2025. A agência destaca que o ambiente de tarifas mais altas, riscos geopolíticos e volatilidade em cadeias de suprimentos deve continuar a limitar a expansão, apesar da resiliência recente.
O relatório também ressalta que a possibilidade de desacoplamento comercial entre EUA e China aumentou, diante do avanço de restrições, incertezas políticas e uso mais frequente de medidas tarifárias e controles de exportação pelos dois lados.
Ainda assim, a Moody's observa que o restante do mundo tem buscado ampliar e aprofundar acordos bilaterais e regionais para reduzir vulnerabilidades e evitar depender do eixo EUA-China.
A agência cita o impulso a novos pactos comerciais na Ásia — como negociações da União Europeia com Índia, Tailândia, Malásia e Filipinas — e movimentos recentes no Reino Unido e no México.