Ministros anunciam retomada de negociações do acordo de livre comércio entre Canadá e Mercosul
Mauro Vieira recebeu a visita do ministro de Comércio do Canadá, Maninder Sidhu; rodadas de discussão estavam paralisadas desde 2019
BRASÍLIA - Os governos do Brasil e do Canadá, países atingidos pelo tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciaram nesta segunda-feira, dia 25, a retomada das negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Canadá.
As rodadas de discussão estavam paralisadas desde 2021. O lançamento das negociações entre Mercosul e Canadá ocorreu em 2018.
"Trata-se de um passo oportuno e estratégico que responde ao momento atual da economia internacional e que demonstra a nossa disposição para buscar maior integração, competitividade e oportunidade para nossos setores produtivos", disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Ele recebeu no Itamaraty a visita do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu. Para reforçar o intercâmbio econômico bilateral, o Brasil vai enviar uma missão empresarial a Toronto, entre 10 e 12 de setembro.
A próxima reunião entre os dois lados será realizada em outubro, com negociadores dos demais países do bloco e o Canadá, provavelmente em Brasília. Pelo lado do Mercosul, o Brasil coordena as negociações técnicas em nome do bloco, assim como faz com a União Europeia.
Ao todo, os técnicos de comércio exterior e diplomatas já realizaram sete rodadas negociadoras e já trocaram ofertas de bens, serviços e investimentos, assim como de compras governamentais.
"Essa decisão importante envia sinal claro do nosso compromisso partilhado de aprofundar laços econômicos mutuamente benéficos, criando oportunidades concretas para empresas, trabalhadores e comunidades em ambos os países", disse o chanceler.
Segundo o ministro brasileiro, os países reiteraram durante reunião no Itamaraty o "compromisso com a ordem internacional baseada em regras e comércio internacional justo e sustentável". Vieira afirmou que os dois países foram afetados por medidas de restrição ao comércio "adotadas sem justificativa técnica".
"Reafirmamos o nosso apoio inequívoco a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, tendo a Organização Mundial do Comércio papel central nesse esforço. Coincidimos com preocupações quanto ao aumento de medidas multilaterais de restrição comercial. Brasil e Canadá têm sido afetados por medidas que distorcem o fluxo legítimo de bens e investimentos adotadas sem justificativa técnica. Essas medidas enfraquecem os princípios que devem nortear as relações entre as nações", afirmou o chanceler brasileiro.
"Num momento em que o comércio baseado em regras é a 'grande ameaça', precisamos nos posicionar ao lado de parceiros com ideias semelhantes para realmente desenvolver essa estrutura e garantir que ela exista para promover mais comércio", disse o ministro Sidhu.
O canadense também conversou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e se reuniu com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Conforme o MRE, em 2024 o fluxo de comércio entre os países foi de US$ 9,1 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 6,3 bilhões, um aumento de quase 10% em relação a 2023.
De janeiro a julho deste ano, o Canadá subiu da 9ª para a 7ª posição entre os destinos das exportações brasileiras.
O Canadá, possui o 11º maior estoque de investimento estrangeiro direito no Brasil, com investimentos de somam US$ 28 bilhões.
"O Mercosul gerará mais oportunidades na América Latina e no Canadá. Como o principal vendedor do Canadá, estou aqui para garantir que nossas empresas obtenham o melhor negócio possível, promovendo a prosperidade mútua. Estamos prontos para colaborar e avançar em negociações ambiciosas neste outono, com o objetivo de chegar a um acordo logo em seguida", afirmou Sidhu.
"Um acordo Canadá-Mercosul daria aos nossos exportadores acesso a mais de 250 milhões de consumidores em potencial e daria aos países do Mercosul acesso preferencial ao Canadá, uma das economias mais abertas e dinâmicas do mundo, em meio a bilhões de transações comerciais e investimentos únicos. Isso gera mais oportunidades para os canadenses e sul-americanos, para os fabricantes e, claro, para os trabalhadores.
O ministro canadense também afirmou que chegou o momento de elevar o nível da parceria bilateral com o Brasil: "Essa ambição visa fortalecer os laços com o Brasil e a região, impulsionar nossa competitividade e proporcionar benefícios reais aos canadenses em um momento em que é de fundamental importância que países com ideias semelhantes impulsionem e defendam um comércio estável e confiável".