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'Meu sonho era sair da boia-fria', diz reitor da Zumbi dos Palmares

José Vicente participou do Papo que Rende, programa de Verônica Oliveira e Luciana Pioto

17 ago 2023 - 05h00
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"“Meu sonho era sair da boia-fria”, diz reitor da Zumbi dos Palmares ":

O Papo Que Rende desta semana recebe José Vicente reitor da Universidade Zumbi dos Palmares. No bate-papo com Verônica Oliveira e Luciana Pioto, o advogado e sociólogo fala sobre a sua trajetória desde a infância trabalhando na zona rural como boia-fria até conseguir ascender socialmente.

"Meu sonho era sair da boia-fria. Quem é do interior, no meu tempo, o trabalho que tinha disponibilizado para as famílias pobres era trabalhar na roça, carpindo amendoim, batendo café e cortando cana. As famílias tinham que levar todos os filhos para ajudar produzir mais ou para ficar sob a vigilância porque não tinha com quem ficar", contou José Vicente.

O advogado e sociólogo ainda explica a origem do termo boia-fria e a importância da mãe para que ele seguisse carreira na educação: "Tem o termo boia-fria porque todo mundo saia muito cedo de casa, às 4h, e quando chegava 9h estava todo mundo almoçando, mas a comida já estava fria".

José Vicente participou do 'Papo Que Rende'
José Vicente participou do 'Papo Que Rende'
Foto: Reprodução/Terra

"Eu não me conformava com o sol escaldante, acordar cedo, chegar em casa às 19h, eu falei: 'Quero ser doutor'. Esse negócio ficou em mim. A minha mãe foi muito importante. Eu tive a sorte que em alguns momentos, mesmo na boia-fria, tinha acesso aos gibis e fotos novelas. Peguei o gosto pela leitura, engatei uma segunda e fui me preparando", completou. 

No papo, José Vicente ainda falou sobre como foi conquistar dois diplomas de nível superior e criar e administrar uma universidade para formar, acolher e inserir pessoas negras no mercado de trabalho. Ele também cita a importância de políticas afirmativas não apenas nas universidades, mas também dentro das empresas.

"Nós andamos bastante com a Zumbi. Esse tema ganhou outra roupagem, cumpriu bastante objetivos, mas o Brasil como um todo ainda está muito aquém daquilo que deveria ser dentro dessa agenda. Nós somos 56% de negros na sociedade brasileira, o razoável é que esses 56% estivessem dentro das universidades. Não é isso que acontece ainda", analisou. 

Fonte: Redação Terra
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