Mercosul-UE vai reunir cerca de 720 milhões de pessoas e PIB de mais de US$ 22 tri, diz governo Lula
Acordo aprovado pelo lado europeu nesta sexta-feira, 9, deve ser assinado em 17 de janeiro no Paraguai
BRASÍLIA - O Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgaram nesta sexta-feira, 9, nota conjunta saudando a aprovação da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), feita mais cedo pelo Conselho Europeu.
A autorização, contudo, ainda não significa a conclusão definitiva do processo, que se arrasta há 26 anos. "A cerimônia de assinatura deverá ocorrer em data e local a serem acordados em conjunto entre os países do Mercosul e o lado europeu", disseram MRE e MDIC.
O acordo deve ser assinado em 17 de janeiro no Paraguai, segundo divulgado pelo chanceler argentino, Pablo Quirno, na rede social X, na tarde desta sexta, 9.
"O acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões", frisou. "Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais."
Próximos passos
As capitais da UE têm agora até as 17h desta sexta-feira para apresentar qualquer objeção e formalizar a votação, conferindo respaldo político à aprovação dos embaixadores baseados em Bruxelas. Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, isso permitirá que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os parceiros do Mercosul na próxima semana.
Em seguida, o Parlamento Europeu também terá que aprovar o tratado. "Alguns deputados europeus querem que o tribunal superior da UE analise o acordo comercial latino-americano, o que poderia atrasar o processo (esta manobra já foi tentada sem sucesso no ano passado)", explicou Barral.
Ele lembrou que a ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que a batalha ainda não terminou e prometeu lutar por uma rejeição pelo Parlamento da UE, onde a votação será apertada. Grupos ambientalistas europeus também se opõem ao acordo, e a organização Amigos da Terra o classificou como um acordo "destruidor do clima". Do outro lado, o social-democrata alemão Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento, manifestou confiança de que o acordo será aprovado, sendo a votação em abril ou maio (o que parece otimista).
"Uma vez aprovado pelo Parlamento, a parte comercial entra em vigor bilateralmente (com a ratificação de cada Estado Parte do Mercosul). Além disso, algumas seções do acordo (que vão além da política comercial) também precisarão ser votadas nos parlamentos nacionais da UE, conforme o procedimento constitucional de cada país", completou Barral.