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Mercado vê comunicado mais duro do BC e mantém previsão de Selic em 15% até dezembro

Após comunicado do Copom na reunião desta semana, a maioria do mercado aposta em corte de juros só a partir de 2026

18 set 2025 - 18h32
(atualizado às 18h36)
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A maioria do mercado (28 de 31 instituições) projeta a manutenção da taxa Selic em 15% até o final de 2025 após o comunicado da decisão de setembro ter sido avaliado como duro pelos economistas consultados pelo Projeções Broadcast. De acordo com a sondagem, 12 instituições projetam o afrouxamento monetário a partir de janeiro e 14 a partir de março. Outras duas casas estimam cortes apenas a partir do segundo trimestre de 2026.

O comitê reiterou que, para garantir a convergência da inflação à meta, é necessária uma "política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado" e acrescentou que não hesitará em retomar um ciclo de ajuste, caso apropriado.

A despeito da melhora da inflação corrente e das perspectivas à frente pela pesquisa Focus, o colegiado manteve a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no primeiro trimestre de 2027, horizonte relevante da reunião de ontem, em 3,4%. Além disso, disse o Banco Central (BC), o cenário externo segue incerto, enquanto o interno apresenta um mercado de trabalho ainda resiliente.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier, o comunicado de quarta-feira, 17, referendou sua expectativa de que o espaço para a retomada dos cortes na Selic só deve aparecer após o primeiro trimestre do ano que vem. "A ideia que o comunicado passou é que o Copom não está confortável em discutir qualquer chance de cortar o juro. Ele não vê isso no cenário e não é o que se discute lá dentro", afirma Xavier, que considera que "todos os contornos" do comunicado vieram com uma linha "mais hawkish".

Em sintonia com boa parte do mercado, ele chama a atenção para o fato de que a projeção de inflação do BC para o primeiro trimestre de 2027 ter ficado estável em 3,4%, o que reforça esse discurso cauteloso. "Historicamente, o BC considera como 'ao redor da meta' um desvio de no máximo 0,20 ponto porcentual nas projeções de inflação. Ou seja, a mensagem é que ele ainda está desconfortável", diz Xavier.

A opção por essa retórica, acrescenta o economista, pode inclusive ser uma estratégia do BC para ganhar ainda mais credibilidade perante o mercado, e garantir reduções adicionais nas expectativas de inflação. "Ele precisa preservar a linguagem hawkish para a desaceleração da atividade ficar mais disseminada e haver um efeito adicional de melhora das expectativas".

BC segue prezando por um discurso cauteloso, na avaliação do mercado financeiro
BC segue prezando por um discurso cauteloso, na avaliação do mercado financeiro
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

O Bradesco também avalia que o comunicado de ontem trouxe poucas mudanças e que o BC segue prezando por um discurso cauteloso. Essa cautela, segundo o banco, ficou evidente pelo fato de as projeções de inflação da autoridade monetária para o horizonte relevante terem ficado estáveis, "mesmo diante da melhora nos indicadores correntes".

O Bradesco destaca, por exemplo, que ao ter mantido a projeção de IPCA do primeiro trimestre de 2027 em 3,4%, o BC pode ter indicado que revisou suas estimativas para o hiato do produto ou juro neutro. "Desde a última reunião, houve queda nas expectativas de inflação, no preço do petróleo e na taxa de câmbio — fatores que tenderiam a reduzir a projeção do modelo. Isso sugere que o BC pode ter ajustado parâmetros como o hiato do produto ou a taxa neutra de juros", sugere o banco.

O cenário-base do Bradesco é de início dos cortes na Selic apenas em janeiro, com expectativa de juro básico em 11,75% no fim de 2026.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, por sua vez, manteve, após o comunicado, seu cenário-base de cortes no juro já em dezembro. Ele ressalta, porém, que isso pode mudar, a depender do conteúdo da ata da reunião e do Relatório de Política Monetária (RPM), que serão publicados semana que vem.

Em linha com a leitura majoritária do mercado, contudo, Borsoi corrobora o tom um pouco mais duro que o esperado no comunicado do BC. A grande surpresa no comunicado foi o cenário de projeções do IPCA, porque o mercado já esperava uma redução para o primeiro trimestre de 2027 para algo próximo de 3,3%", observa.

"Há a hipótese de que o BC tenha revisado o hiato do produto para cima, o que de certa forma não conversa muito com os últimos dados da atividade, mas conversa com o mercado de trabalho. Essa seria uma visão bem mais dura do comunicado de ontem", acrescenta.

Além disso, Borsoi avalia que o comunicado foi mais conservador por trazer pouco destaque para a desaceleração da economia brasileira, a melhora no câmbio, nas expectativas de inflação e nas commodities. "Parece que essa melhora no cenário não tocou muito o colegiado", afirma.

Estadão
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