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Mercado aposta em juros de 5,5% em reunião do Copom desta quarta

Corte na Selic deve ser de 0,50 ponto porcentual, segundo economistas; maioria dos analistas ouvidos pelo 'Projeções Broadcast' acredita que a taxa básica vai chegar ao fim de 2019 em 5% ao ano

18 set 2019
08h26
atualizado às 08h44
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É unânime no mercado a expectativa de queda da Selic, a taxa básica de juros, de 6,0% para 5,50% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que termina nesta quarta-feira, 18. Mesmo com a desvalorização do real depois do último encontro, em julho, os economistas consultados pelo Projeções Broadcast avaliam que a inflação deve seguir bastante confortável, uma vez que é grande a ociosidade na economia.

Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central termina nesta quarta-feira, 18
Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central termina nesta quarta-feira, 18
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Todas as 55 apostas coletadas pelo serviço especializado do Projeções Broadcast para o Copom de setembro apontam novo corte de 0,50 ponto porcentual. Para o fim do ano, há divergências, com as estimativas indo de 4,75% a 5,50%. De 53 estimativas, 31 indicam o juro em 5,0% em dezembro, 12 apontam Selic em 5,25% e sete apostam que deva terminar o ciclo em 4,75%. Há ainda três instituições que esperam que o ciclo termine em setembro, com a Selic em 5,50%. O intervalo para o fim de 2020 vai de 4,5% a 7,00%.

"A inflação entre baixa e moderada e a lentidão da recuperação da atividade econômica, que mantém ampla capacidade ociosa na economia, são os fatores fundamentais para a manutenção do ritmo de corte do juro básico", diz a MCM Consultores, em nota, sobre a expectativa de 5,50% para a decisão de setembro.

O economista Daniel Silva, da Novus Capital, lembra que houve uma preocupação do mercado nos dias em que o câmbio ficou mais pressionado, encostando em R$ 4,20, quando despertou uma discussão se o corte em setembro poderia ser menor, de 0,25 ponto porcentual.

"Mas a depreciação cambial não deve influenciar, porque os preços de commodities em dólar caíram bastante. Então, o efeito líquido (para a inflação) é quase zero na nossa avaliação. Mas, mesmo que não tivesse acontecido isso, com o quadro de ociosidade o repasse cambial seria bastante pequeno. Então o BC tem espaço para manter o plano de voo, com pelo menos mais uma queda adicional de 0,50 ponto", explica. Silva estima outra queda de 0,50 ponto em outubro, com a Selic encerrando o ciclo em 5,0%.

"Mesmo com a economia se recuperando, ainda vai demorar pelo menos um ano e meio para o hiato do produto deixar o terreno negativo, se tudo ocorrer como previsto, com o PIB crescendo 0,8% este ano e 2,5% em 2020", diz, argumentando que os dados melhores de serviços e varejo em julho não mudam o cenário de política monetária.

O economista André Muller, da AZ Quest, concorda que o efeito da desvalorização do câmbio sobre a inflação deve ser mitigado por commodities e ociosidade e, por isso, ainda é insuficiente para garantir que a meta seja atingida no ano que vem. Por isso, o economista acredita que a Selic deva cair a 4,75% até o fim do ano. Nesse cenário, a inflação atingiria 4,0% no ano que vem e o PIB cresceria 2,5% - para este ano a projeção é de alta de 0,8%.

A Trafalgar Investimentos também espera queda de 0,50 ponto da Selic no Copom de setembro, mas acredita que este será o último corte na taxa, principalmente porque tem uma visão mais construtiva da atividade econômica do País, diz o economista-chefe Guilherme Loureiro, que estima PIB de 1,0% em 2019 e 2,3% em 2020.

Ele afirma que esse grau de estímulo já deve ser suficiente para gerar um crescimento mais forte da economia uma vez que as condições financeiras também estão melhores. "O BC deve cortar 0,50 ponto agora e deixar a porta aberta para as próximas decisões, para avaliar à medida que a atividade evolui."

Mas o risco, diz Loureiro, é um cenário global mais adverso, o que reduziria o crescimento brasileiro em 2020 para entre 1,0% e 1,5% e a inflação para perto de 3,5%, o que indicaria o juro entre 4,5% e 4,75%.

Da mesma forma avalia o economista Yan Cattani, da Pezco, que também espera que o ciclo de queda se encerre em setembro, com a Selic em 5,50%. Anteriormente, Cattani estimava corte de 0,25 ponto neste mês, mas a ociosidade grande e o afrouxamento monetário ao redor do mundo fizeram a instituição mudar a aposta para queda de 0,50 ponto.

Estadão
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