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Manutenção da incerteza pode levar BC a reduzir cortes de juros, diz Campos Neto

Presidente do BC sugeriu uma redução do ritmo de afrouxamento monetário

17 abr 2024 - 15h03
(atualizado às 15h34)
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Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
Foto: ALEX SILVA / ESTADÃO / Estadão

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira que uma manutenção do cenário de incerteza elevada pode significar uma redução do ritmo de afrouxamento monetário promovido pela autarquia na tentativa de controlar a inflação.

Em evento com investidores em Washington, nos Estados Unidos, Campos Neto mencionou a recente reprecificação de ativos com a deterioração do cenário internacional e percepção sobre riscos fiscais no Brasil, apresentando uma espécie de guia sobre os próximos passos do BC a depender da evolução do cenário.

"Poderia haver uma redução da incerteza, o que significa que seguiríamos o caminho usual. Poderíamos ter um sistema no qual a incerteza continua a ser muito alta e não muda significativamente, o que pode significar uma redução no passo", afirmou.

"Poderíamos ter um cenário no qual a incerteza começa a afetar mais fortemente variáveis importantes, e aí precisaríamos falar sobre mudar o balanço de riscos. E poderíamos ter cenário no qual a incerteza na verdade se agrava, criando estresse global e, nesse caso, mudaríamos nosso cenário base", prosseguiu.

Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) encurtou sua orientação futura para os juros básicos em meio a maiores incertezas, afirmando que antevia mais um corte de 0,50 ponto percentual na Selic se confirmado o cenário esperado. Atualmente, a taxa está em 10,75% ao ano, após seis cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual.

Apesar da mudança na orientação, o BC enfatizou na ocasião que seu cenário base não havia se alterado substancialmente. Nesta quarta, Campos Neto disse que é cedo para falar em mudanças estruturais e afirmou ser necessário aguardar a evolução de variáveis até a próxima reunião do Copom, nos dias 7 e 8 de maio.

O presidente do BC destacou que a maior parte das incertezas no atual cenário é global, com maior chance de manutenção de juros elevados por mais tempo em economias avançadas, mas também mencionou riscos fiscais domésticos após afrouxamento da meta de resultado primário para 2025. Segundo ele, parte dessas incertezas já havia sido antecipada pelo BC em suas recentes comunicações.

O encontro de Campos Neto com investidores na capital norte-americana seria fechado e sem transmissão, pela previsão inicial, mas depois o BC anunciou a abertura do evento.

No evento, ele enfatizou que o BC não terá medo de fazer o que é preciso para alcançar suas metas, ainda que eventuais mudanças na orientação futura da autarquia possam gerar problema de credibilidade.

"Todo 'guidance' tem um 'disclaimer', o que significa que se a situação mudar substancialmente nós devemos avaliar", afirmou.

"Toda vez que você tem um 'guidance' e precisa mudar é um problema de credibilidade, mas todo 'guidance', por você não saber o futuro com certeza, vem com um 'disclaimer'".

FISCAL

O anúncio do governo de que perseguirá metas fiscais menos ousadas nos próximos anos foi mal recebido pelo mercado e, aliado a fatores externos, deteriorou indicadores e gerou desvalorização do real.

No evento, Campos Neto afirmou que o Brasil tem uma taxa de câmbio flutuante e por isso o BC só deve intervir no dólar em casos de disfuncionalidades, acrescentando que a autoridade monetária não reage a reprecificações de prêmio de risco por parte dos mercados.

Após a decisão da equipe econômica sobre a meta fiscal, a curva de juros brasileira passou a precificar na terça-feira 51% de chance de o Copom cortar a taxa básica Selic em apenas 0,25 ponto percentual em maio, e não em 0,50 ponto percentual como vinha sendo precificado.

Sobre o tema, o presidente do BC afirmou que é preciso entender como a recente mudança na meta fiscal para 2025 afetará a função de reação da autoridade monetária.

Campos Neto disse que perdas de credibilidade ou questionamentos sobre a âncora fiscal elevam o custo do lado monetário. Ele reforçou que não há relação mecânica entre o fiscal e o patamar dos juros, mas destacou que maiores prêmios de risco cobrados pelo mercado em meio ao pessimismo podem "dificultar" a condução da política monetária.

"Não é papel do Banco Central dar recomendação sobre o fiscal, o que eu diria é que, em geral, quanto mais transparente você é quando tem que mudar algo, menor o dano que você gera à credibilidade", disse.

Na apresentação, ele voltou a afirmar que as expectativas para a inflação seguem desancoradas no Brasil e disse que o BC não vai reagir a dados pontuais, como os números recentes mais positivos sobre a evolução dos preços, devendo avaliar a tendência dos dados.

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