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Mais de 600 mil empregos podem ser eliminados com fim da escala 6x1, diz estudo

Segundo nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP), comércio, agropecuária e construção seriam os setores mais afetados por mudança

4 fev 2026 - 21h30
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Mais de 600 mil empregos formais podem ser perdidos em meio a uma queda significativa na produção, com consequências para o crescimento econômico, se o Brasil acabar com a escala de trabalho 6 X 1 (seis dias consecutivos de trabalho e um de folga por semana).

A projeção faz parte de uma nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP) sobre o impacto da redução da jornada de trabalho no Brasil.

A avaliação é que comércio, agropecuária e construção serão os setores mais afetados se a redução de horas trabalhadas for aprovada pelo Congresso. No caso do comércio, a produtividade do trabalhador cairia 1,3%, com uma baixa de 1,6% no emprego formal, o que significa a perda de 164,1 mil empregos.

Projeções indicam mais de 600 mil empregos formais perdidos com fim da escala 6x1, aponta o CLP
Projeções indicam mais de 600 mil empregos formais perdidos com fim da escala 6x1, aponta o CLP
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil / Estadão

Na agropecuária, a queda da produtividade do trabalhador seria de 1,3%, acompanhada por redução do emprego formal em 1,6%, o equivalente a 28,4 mil vagas a menos. Na construção, a produtividade cairia 1,3%, com redução de 1,6% no emprego formal: perda de 45,7 mil empregos.

Incluindo outros setores, as projeções indicam mais de 600 mil empregos formais perdidos, aponta o CLP, que tem entre suas missões o desenvolvimento de líderes públicos.

Segundo o CLP, a redução da jornada de trabalho poderia resultar na diminuição de até 2% na produção do setor formal, considerando tanto a redução de horas trabalhadas quanto a perda de empregos. O impacto no PIB seria de cerca de 0,7% — ou R$ 88 bilhões —, o que, observa o CLP, demonstra os impactos macroeconômicos expressivos e de longo prazo.

Conforme a nota técnica, se o fim da jornada 6x1 vier sem redução proporcional do salário mensal, o custo do trabalho por hora sobe mecanicamente. "Para uma parte das firmas, isso pode ser absorvido por reorganização interna, redução de desperdícios e mudanças tecnológicas, mas para outras pode virar compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala", observa o CLP.

O estudo cita a experiência de Portugal, que passou de 44 para 40 horas de trabalho semanal, tendo como resultado o aumento de 9,2% no salário-hora, associado a uma queda de cerca de 1,7% no emprego e de 3,2% nas vendas. A redução nas horas totais trabalhadas em Portugal foi de 10,9%, aponta o CLP.

Estadão
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