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Lula pode recorrer à memória para repensar a política de abastecimento em um quadro feio de inflação

Em mandatos anteriores, o presidente apoiou políticas de produção e de abastecimento capazes de garantir boas condições de abastecimento interno e de proporcionar ganhos de exportação

27 fev 2025 - 18h12
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Demitida a ministra da Saúde, iniciada a reforma ministerial, ampliado o acesso a dinheiro do FGTS e encenados novos acenos populistas, falta o presidente falar claramente sobre planos para o Brasil - se houver algo para ser revelado.

A economia cresceu com firmeza durante dois anos, acumulando expansão em torno de 7%. Emprego e renda dos trabalhadores aumentaram, e o consumo se expandiu, mas o quadro da inflação tem ficado mais feio.

Segundo projeções do mercado, os preços ao consumidor poderão subir 5,65% neste ano, ultrapassando novamente o teto da meta, (4,5%). Com pressões ainda fortes, a inflação poderá bater em 4,40% em 2026. A insegurança nos mercados permanece elevada, o Banco Central (BC) tem argumentos para manter o crédito caro e especialistas projetam atividade mais fraca nos próximos anos. E o governo para onde vai?

Arrumar as contas públicas deveria ser prioridade, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desse atenção ao cenário desenhado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e já apresentado a líderes do Parlamento e à opinião pública. Mas o presidente, além de se mostrar bem menos preocupado que o ministro, tende a rejeitar políticas de ajuste vinculadas à contenção do gasto.

Um sinal de austeridade poderia ser muito bem-vindo, no entanto, diante da persistência da inflação. Com novo repique inflacionário, os preços ao consumidor subiram 1,23% nas quatro semanas até o meio de fevereiro, acumulando alta de 4,96% em 12 meses.

Políticas incluíram por décadas cuidados com a manutenção de estoques de segurança, mas o trabalho de formação de reservas de segurança tem sido, há alguns anos, menos visível nas estatísticas oficiais
Políticas incluíram por décadas cuidados com a manutenção de estoques de segurança, mas o trabalho de formação de reservas de segurança tem sido, há alguns anos, menos visível nas estatísticas oficiais
Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

Especialmente preocupantes são os aumentos acumulados nos preços de itens só comprimíveis com grave piora das condições de vida, como alimentação e bebidas (7,12%), aluguel e taxas (5.55%), transportes (4,83%) e educação (6,37%).

Quando esses preços disparam, os efeitos mais duros são enfrentados pelas famílias de renda baixa ou média baixa, principalmente aquelas com filhos ainda sem ganhos próprios. A distribuição de renda ficou menos desigual no Brasil e a pobreza diminuiu, desde a virada do século, mas o sustento familiar continua sendo um pesado desafio para a maior parte da população.

Diante dos novos números, o presidente Lula se absteve - numa decisão talvez inesperada para muitos - de intervir nos mercados. A experiência brasileira é mais do que suficiente para mostrar a baixa eficácia - e os perigos de distorções - de políticas intervencionistas.

O presidente preferiu cuidar das condições da oferta de alimentos, prometendo maior apoio financeiro à produção agropecuária. Importação pode, em algumas circunstâncias, atenuar os problemas de abastecimento no curto prazo. Não ficou claro, no entanto, se essa possibilidade foi discutida seriamente.

Problemas graves de abastecimento têm sido raros, no Brasil, há pelo menos quatro décadas. Mas a melhora dessas condições esteve associada, nesse período, a uma bem-sucedida combinação de políticas de produção agropecuária e de abastecimento.

Essas políticas incluíram por décadas, cuidados com a manutenção de estoques de segurança, mas o trabalho de formação de reservas de segurança tem sido, há alguns anos, menos visível nas estatísticas oficiais. Os problemas de suprimento experimentados nos últimos meses talvez possam estimular a retomada de políticas de muito sucesso durante décadas.

Em mandatos anteriores, o presidente Lula apoiou políticas de produção e de abastecimento capazes de garantir boas condições de abastecimento interno e de proporcionar, ao mesmo tempo, importantes ganhos de exportação. No caso dessas experiências, pode valer a pena olhar para trás, talvez conversar com antigos auxiliares, e rever ações econômica e politicamente bem-sucedidas.

Estadão
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