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Lula à CNN Internacional: Trump foi eleito para ser presidente dos EUA, e não 'imperador do mundo'

'Eu garanto que o Brasil não gosta de encrenqueiros, nem de confusões; o Brasil gosta de negociar em paz', diz o presidente, em entrevista à jornalista Christiane Amanpour

17 jul 2025 - 14h42
(atualizado às 14h56)
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BRASÍLIA - Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, veiculada nesta quinta-feira, 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi eleito para governar o país dele, e não ser o "imperador do mundo".

"Nós não podemos ter o presidente Trump esquecendo que ele foi eleito para governar os Estados Unidos, e não para ser o imperador do mundo. Seria muito melhor estabelecer uma negociação primeiro, e depois alcançar um acordo possível, porque nós somos dois países que temos boas relações por 200 anos", afirmou Lula.

Segundo Lula, tanto a tarifa quanto a forma em que Trump usou para anunciá-la foram surpresas para o governo brasileiro. O presidente brasileiro também disse que falta, em Trump, um "pouco de multilateralismo na mente".

O presidente voltou a dizer que a afirmação de Trump de que os Estados Unidos sofrem prejuízos no comércio com Estados Unidos é falsa. Lula também declarou a Amanpour que, desde maio, o governo brasileiro envia propostas para a Casa Branca, mas foi "surpreendido" ao ver que a carta do líder americano não fez menção às alternativas citadas pelo petista.

Lula disse que o Brasil está pronto para negociar a tarifa imposta por Trump, mas que o País está disposto a mandar respostas para Washington. O petista voltou a declarar que pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, recentemente regulamentada pelo Planalto.

'O Brasil não gosta de encrenqueiros'

Lula disse que o Brasil vai, "no momento certo", dar a "resposta certa" à carta de Trump que anunciou o tarifaço ao Brasil — o mais alto entre as enviadas para os parceiros comerciais dos EUA.

"No meu pronunciamento ao povo brasileiro, eu vou dizer o que estamos pensando sobre isso", afirmou Lula, em referência ao pronunciamento em cadeia de rádio e TV marcado para a noite desta quinta-feira. "Eu garanto que o Brasil não gosta de encrenqueiros, nem de confusões. O Brasil gosta de negociar em paz."

O petista negou que haja uma crise entre Brasil e Estados Unidos, reforçando a disposição de negociar com o governo americano sobre as tarifas. Mas destacou que a relação entre os países "não pode continuar assim".

O presidente brasileiro também aproveitou para provocar o americano, dizendo que "não se considera um imperador" — um termo que a oposição a Trump vem usando para se referir a ele.

"Eu não me considero um imperador, para tomar uma decisão e publicá-la num jornal", disse Lula. "Quando eu li a carta (de Trump), eu achei que era fake news. Quando eu vi a carta na mídia, eu pensei que era uma carta verdadeira assinada pelo presidente Trump."

Lula acrescentou que o Brasil é um "aliado histórico" dos Estados Unidos e valoriza as tradições econômicas entre os países, mas não vai "aceitar imposições".

Estadão
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