Lei de Reciprocidade não dá direito de perder a razão e será usada adequadamente, diz ministro
Segundo Márcio Elias Rosa, é preciso ter cautela para evitar que eventual retaliação ao Estados Unidos acabe tendo um efeito contrário
BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, disse nesta quarta-feira, 22, que a Lei de Reciprocidade não dá o direito ao Brasil de perder a razão. Em entrevista à Bandnews, ele declarou que é preciso ter cautela para evitar efeito contrário, ao falar da possibilidade de retaliação do Brasil aos Estados Unidos por conta da entrada em vigor da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Conforme o ministro, o problema é que é preciso primeiro dimensionar qual a medida, e isso não é fácil. "Segundo, se ela não pode produzir um efeito negativo, ou seja, o prejuízo ser maior aqui do que lá. Eu também gosto de dizer que se você for adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário. Não apenas irritá-lo, porque senão você perde o controle e o domínio da negociação", afirmou.
De acordo com Elias Rosa, o Brasil negociou todos os pontos da seção 301, que resultou na tarifa adicional dos EUA ao País, mas que é difícil demover da ideia alguém que tem "dificuldade para se conectar com a realidade".
Para ele, se as causas do tarifaço fossem só econômicas, o Brasil já poderia ter chegado a um acordo, mas essas tarifas têm um caráter mais de sanção do que de regulação do mercado. A solução, disse, é diversificar os mercados e o País tem condição de fazer isso.
O ministro lamentou ainda a diminuição da participação dos Estados Unidos na corrente de comércio brasileira, por ser um parceiro histórico e bem posicionado logisticamente em relação ao Brasil, mas também declarou que a China tomou o lugar dos norte-americanos.
"É um parceiro comercial muito relevante (os EUA), não é razoável e nem é bom que nós não tenhamos um acordo com eles e acho que nós não podemos, de maneira alguma, alimentar qualquer dissenso. A despeito do desaforo, nós temos de continuar na mesa de negociação tentando trazer de volta", completou.
Efeito eleitoral do tarifaço
De acordo com o ministro, não é verdade a ideia de que bastaria uma mudança de governo no Brasil para que a relação com os Estados Unidos melhorasse. Segundo ele, o distanciamento em relação aos EUA não convém em nenhum aspecto, nem no eleitoral.
"Não falta a consciência de que o tarifaço não é bom em nenhum momento. Comete um grave equívoco quem supõe que o lado brasileiro imagina que eleitoralmente ou politicamente - que é uma visão que alguns têm, sobretudo os bolsonaristas - o Brasil se beneficia, ou o governo se beneficia da ocorrência do tarifaço. Isso não é verdade. É ruim para todo mundo", afirmou.
Segundo Elias Rosa, mesmo com uma possível mudança de poder no País, os EUA seguiriam pressionando comercialmente por conta da política implantada naquele país de tentar reindustrializar seu território. O ministro rebateu ainda críticas de que posições públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao presidente Donald Trump teriam piorado a relação ou influenciado no tarifaço. Para ele, se o problema fosse só esse, seria de fácil resolução.
"Os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o Brasil. Estão aqui mais próximos, há uma conexão natural com os nossos povos, inclusive cultural, e a vocação natural é estarmos cada dia mais próximos. Então, esse distanciamento não convém sobre nenhum aspecto, nem no eleitoral", completou.
Sobre uma possível nova rodada de tarifas ao Brasil, Elias Rosa respondeu que a expectativa é que na próxima sexta-feira, 24, haja uma nova decisão dos Estados Unidos sobre outra parte da investigação comercial a países, dessa vez sobre trabalho forçado.
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