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Inflação de famílias de alta renda é 75% maior do que o IPCA, aponta novo indicador

Índice criado pela fintech Zeom acompanha a evolução de preços da cesta de consumo de famílias com renda entre R$ 30 mil e R$ 100 mil

22 jul 2026 - 11h06
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A Zeom, fintech de tecnologia financeira e investimentos globais fundada por brasileiros e sediada em Londres, criou dois novos indicadores para acompanhar a inflação das famílias de média e alta renda, com ganhos entre R$ 30 mil e R$ 100 mil por mês: o Índice Zeom de Custo de Vida e o Índice Zeom de Alto Padrão. E os primeiros dados divulgados pela empresa mostram uma diferença significativa em relação à inflação oficial do País.

No caso do Índice Zeom de Alto Padrão, a pesquisa mostra que, em 12 meses, quem tem esse perfil de consumo teve inflação acumulada de 8,1%. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 4,6%, uma diferença de 75%. O Índice Zeom de Alto Padrão mede o padrão de vida premium e acompanha exclusivamente bens e serviços característicos de famílias de alta renda.

Já o Índice Zeom de Custo de Vida incorpora despesas comuns a toda a população, como energia elétrica, combustíveis e telefonia, e registrou aumento de 6,3% no período, indicando que o custo de vida das famílias de maior renda evoluiu acima da média da economia.

Shopping Cidade Jardim, um dos centros de compra que reúnem lojas de luxo em São Paulo
Shopping Cidade Jardim, um dos centros de compra que reúnem lojas de luxo em São Paulo
Foto: Thiago Queiroz/Estadão / Estadão

Para a construção dos indicadores, a empresa informa que utiliza inteligência artificial (IA) para monitorar continuamente milhares de preços públicos, validar automaticamente as informações, preservar a comparabilidade dos produtos ao longo do tempo e consolidar séries históricas que permitem medir a evolução da inflação de diferentes perfis de consumo.

Rafael Pereira, cofundador da Zeom, afirma que o ponto de partida do projeto foi entender se a simples alteração da composição da cesta de consumo seria suficiente para explicar a diferença em relação ao IPCA.

"Quando aplicamos os pesos das famílias de maior renda às séries oficiais, percebemos que a diferença era pequena. A principal descoberta do estudo está nos preços efetivamente pagos por esse público. Foi a partir daí que desenvolvemos uma infraestrutura proprietária baseada em IA para acompanhar continuamente essa dinâmica e construir indicadores capazes de retratar uma realidade que os índices tradicionais não capturam", afirma Pereira.

Em pesquisa realizada pela Zeom, foi constatado que, entre as categorias que mais pressionaram o custo de vida desde 2018, estão os planos de saúde de alto padrão, com alta acumulada de 145,5%; os restaurantes, com aumento de 92,4%; os aluguéis residenciais em São Paulo, com valorização de 80,5%; e o preço nominal do modelo de entrada do iPhone, que dobrou no período.

Segundo Pereira, o estudo não pretende substituir os indicadores oficiais, mas ampliar a compreensão sobre como diferentes perfis de consumo convivem com dinâmicas distintas de inflação. "O IPCA continua sendo a principal referência para medir a inflação da economia brasileira. O que mostramos é que diferentes perfis de renda convivem com dinâmicas próprias de formação de preços", afirma.

A Zeom Research, braço de pesquisa da companhia, informa que os novos indicadores serão divulgados após a publicação do IPCA pelo IBGE. Cada edição reunirá os índices, análises por categoria, séries históricas, comparativos entre perfis de renda e estudos que ampliem o acompanhamento da evolução do custo de vida das famílias brasileiras de média e alta renda.

Estadão
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