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Itaú vence caso no TRF-1 e mantém suspenso julgamento de R$ 40 bi no Carf

Processo trata da cobrança de suposto ganho de capital não tributado, gerado pela fusão entre Itaú e Unibanco em 2008; banco diz que fusão foi ratificada pelo Carf e outros órgãos

4 fev 2026 - 19h56
(atualizado às 20h40)
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O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu, nesta quarta-feira, 4, que deve permanecer suspenso o julgamento de um caso envolvendo o Itaú Unibanco no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), cujo valor é estimado por especialistas e fontes próximas ao banco em R$ 40 bilhões.

O processo está parado há sete anos e trata da cobrança de suposto ganho de capital não tributado, gerado pela fusão entre o Itaú e o Unibanco em 2008. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) calcula o valor do caso em R$ 37 bilhões.

Uma decisão da instância baixa do Carf livrou o Itaú da cobrança, o que fez com que a PGFN recorresse à Câmara Superior, instância máxima. Foi depois disso que o caso chegou ao TRF-1, quando o banco ajuizou uma ação questionando a admissibilidade do recurso fazendário. Entretanto, nesta quarta-feira, a 8ª Turma do TRF-1 entendeu que não deve ser admitido o recurso especial da PGFN.

Julgamento do mérito do caso do Itaú no Carf permanecerá suspenso até um desfecho
Julgamento do mérito do caso do Itaú no Carf permanecerá suspenso até um desfecho
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

Para que um recurso possa "subir" à Câmara Superior do Carf, precisa ser apresentado um "acórdão paradigma" — um caso idêntico ao em questão, mas que teve um entendimento contrário. Esse foi o ponto de análise do colegiado para decidir sobre a admissibilidade do recurso fazendário no Carf. Venceu o voto da relatora, juíza Kátia Balbino de Carvalho Ferreira, que entendeu que não há similaridade factual necessária entre os casos.

O Estadão/Broadcast apurou que a PGFN irá recorrer da decisão do TRF-1. Caso seja mantida a sentença, irão acionar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF), indicando que a discussão está longe do fim.

O julgamento do mérito no Carf, por sua vez, permanecerá suspenso até um desfecho. Com isso, o valor do caso tende a aumentar.

Um processo que pode superar R$ 40 bilhões é considerado um risco presente para o caixa de uma empresa. No formulário de referência do Itaú, o caso é apontado como "relevante", mas a empresa considera a chance de perda "remota".

Em nota divulgada no fim do ano passado, o Itaú Unibanco afirma que o Carf "ratificou a regularidade da fusão entre os dois bancos ao cancelar a autuação em 2017, assim como já haviam feito o Banco Central, a CVM e o Cade". "O Itaú questionou o recurso do Fisco à Câmara Superior por ausência de requisitos, em medida judicial julgada em seu favor", diz a conta.

Especialistas consultados pelo Estadão/Broadcast afirmam que, se eventualmente for admitido o recurso especial no Carf, o Itaú corre o risco de sofrer uma reversão na Câmara Superior, uma vez que a jurisprudência do órgão se mostra oscilante.

Estadão
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