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Itaú: com estratégia seletiva, banco navega com resultados positivos no mar revolto da economia

O maior banco privado do País manteve a disciplina no crédito e sustentou, no balanço do 2.º trimestre, uma operação rentável, apesar de ruídos na geração de receitas com serviços

5 ago 2026 - 15h40
(atualizado às 16h16)
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Em mais um trimestre de resiliência, o Itaú Unibanco consolidou a posição de âncora no setor bancário em um momento de mares revoltos no cenário macroeconômico e de renovadas preocupações com o setor. O maior banco privado do País manteve a disciplina no crédito e sustentou uma operação historicamente rentável, apesar de ruídos na geração de receitas com serviços. Como efeito, apurou lucro líquido gerencial de R$ 12,4 bilhões, que gerou um retorno sobre patrimônio (RoE) de 24,3%.

Os números foram recebidos com alento no mercado, depois de o Santander ter alimentado preocupações sobre o ciclo com um balanço turbulento na semana passada. No começo da tarde desta quarta-feira, 5, a ação do Itaú subia mais de 2% na B3.

'Não há nenhum sinal de preocupação em nossa carteira', diz o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, em teleconferência para comentar os resultados
'Não há nenhum sinal de preocupação em nossa carteira', diz o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, em teleconferência para comentar os resultados
Foto: Bob Wolfenson/Divulgação / Estadão

O ambiente deve continuar difícil nos próximos meses, diante da confluência de incertezas domésticas e internacionais. As tensões geopolíticas seguem gerando pressões inflacionárias no mundo e forçam uma postura mais conservadora dos juros nos Estados Unidos e no Brasil. Mas a mensagem central do banco continua intacta. "Não há nenhum sinal de preocupação em nossa carteira", disse o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, em teleconferência para comentar os resultados.

A inadimplência fechou mais um trimestre estável, em 1,9%, pelos critérios de atrasos superiores a 90 dias. Houve um aumento marginal no indicador para micro pequenas e médias empresas (MPMEs), para 2%, à medida que termina o período de carência dos programas de garantia governamental, como o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI). Segundo Maluhy, o índice deve ter mais uma alta de 0,1 ponto porcentual, antes de estabilizar.

"A gente tem uma carteira de crédito com qualidade superior à do sistema, sempre com esse olhar de longo prazo, além de um balanço robusto, com capital e resultados capazes de absorver esse tipo de cenário", ressaltou o CEO.

Como é a estratégia seletiva adotada pelo banco

A estabilidade é fruto de uma estratégia seletiva construída desde o último ciclo mais desafiador, o da pandemia. De lá para cá, o banco continuou crescendo a carteira em ritmo forte, mas em públicos considerados mais resilientes, independentemente do perfil de renda.

Na pessoa física, redirecionou as operações de crédito pessoal para o consignado privado, que cresceu 14,3% na passagem trimestral, a R$ 22,2 bilhões. No cartão de crédito, a preferência foi por consumidores de média e alta rendas. A linha imobiliária é outro destaque, com originação de R$ 36 bilhões nos últimos 12 meses.

Já na pessoa jurídica, o Itaú avançou mais fortemente nos setores de infraestrutura e energia entre as grandes empresas, enquanto nas menores, o foco continua sendo os programas do governo. "Nos segmentos em que nos propusemos a crescer, temos crescido dois dígitos", comentou Maluhy.

Com um mix de produtos otimizado, o Itaú também tem conseguido encontrar espaço para aumentar a margem financeira com clientes, que mede os ganhos com operações de crédito e captação. O indicador subiu a R$ 32,6 bilhões nos três meses encerrados em junho, mas pode enfrentar maior volatilidade nos próximos meses, de acordo com Maluhy.

De qualquer forma, a margem forte ajuda a compensar parte da pressão sobre as receitas com serviços, sobretudo em conta corrente, pagamentos e recebimentos e rendas com emissão de cartões. O banco revisou para baixo a projeção para as receitas com prestação de serviços e resultados de serviços, e agora projeta expansão entre 2% e 5% - abaixo do intervalo de alta entre 5% e 9% esperado anteriormente.

A piora reflete uma série de fatores, entre eles a mudança estrutural na gestão do negócio de cartões. Historicamente, o produto costumava ser monetizado pela cobrança de taxas de anuidade e intercâmbio. Maluhy ressaltou que no cartão de crédito o banco tem dependido menos da cobrança da anuidade, ao mesmo tempo que os programas de recompensa e fidelidade ganham mais espaço.

Outra evolução é que o cartão de crédito se tornou uma espécie de plataforma de financiamento ao consumo, que gera receitas que aparecem não mais na linha de serviços, mas na margem com clientes.

"Este combinado leva a uma desaceleração na linha de receitas com serviços, mas temos conseguido compensar em outras linhas do balanço, como o crescimento da carteira, dos resultados de tesouraria e em outras áreas", disse Maluhy.

Estadão
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