Inteligência artificial deve ser vista como um salto civilizatório, diz CEO do WhatsApp no SPIW
Guilherme Horn diz que os agentes de IA serão indispensáveis como o celular é hoje; executivo foi um dos destaques da programação de inteligência artificial no São Paulo Innovation Week
Para Guilherme Horn, CEO do WhatsApp para Brasil, Índia e Indonésia e autor do livro O mindset da IA: ela pensa, você decide, a inteligência artificial (IA) não deve ser encarada apenas como uma nova ferramenta tecnológica, mas como um salto civilizatório que impacta o comportamento humano, o trabalho, os modelos de negócio e até a geopolítica global. O executivo foi um dos principais destaques da programação de IA do São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap.
"Você vai olhar para uma pessoa que não usa um agente de IA pessoal da mesma forma que você olha hoje para uma pessoa que não tem um celular. É uma nova era. A IA não é uma ferramenta nova tecnológica. Ela representa uma mudança na civilização", afirma.
O executivo da Meta (dona do WhatsApp) diz que a empresa está preparando agentes de IA que se tornarão assistentes do dia a dia, mantendo a premissa de serem simples, confiáveis e privados. "A IA não é simples. Criar um agente de IA hoje não é muito simples, mas isso fica cada vez mais acessível. É inevitável: todos nós teremos nossos agentes de IA em muito pouco tempo", diz.
Nas empresas, Horn afirma existir uma grande lacuna se formando entre aquelas que estão usando a IA para redesenhar o trabalho e as que a utilizam apenas como uma ferramenta para perguntas e respostas.
"Tenho a oportunidade de estar em uma big tech que usa IA em tudo o que faz. Meu agente está participando de reuniões por mim agora mesmo, com intervenções melhores do que as minhas, porque ele lembra de dois anos atrás que nem eu mesmo lembro mais. Ele também faz associações que nem eu mesmo faria", diz Horn.
Ele afirma que usar a IA como ferramenta para fazer as mesmas coisas que antes pode trazer ganhos de produtividade, mas não necessariamente da forma mais inteligente.
Visão otimista da IA
Horn diz que a visão negativa em relação ao uso da IA é um efeito Dunning-Kruger coletivo, no qual quem sabe pouco sobre um assunto pensa que sabe muito sobre ele e tira conclusões precipitadas, justamente por não saber o que não sabe.
O executivo citou um estudo feito com cerca de 600 profissionais nos Estados Unidos e na Europa, citado no novo livro Entanglement, da pesquisadora de tecnologia Marigo Raftopoulos, que apontou problemas relacionados a questões como integração, confiança, desempenho e implementação, com 84% das pessoas preocupadas com riscos, incluindo segurança cibernética, perda de empregos e usos militares.
Porém, sua visão em relação a ela é positiva. "São poucas as pessoas que vêm para mostrar o lado positivo da IA, os avanços na ciência, aumento de produtividade — que ouvimos muitas vezes com uma conotação negativa, atrelada a demissões —, aumento da qualidade de vida e do empoderamento humano. Isso já é uma realidade hoje em algumas bolhas, alguns locais, empresas e comunidades", afirma Horn.
Na educação, o especialista vislumbra a possibilidade de um ensino personalizado em escala, mudando o papel do professor de disseminador de conteúdo para mentor em uma era em que o aprendizado poderá ser individualizado pela IA. Na medicina, ele destaca avanços em diagnósticos precoces e tratamentos individualizados que já estão começando a ocorrer.
Em vez de extinção massiva de empregos por causa da IA, Horn vê a substituição de funções específicas e a criação de uma vasta quantidade de novas profissões que ainda não conseguimos imaginar. "Se eu lembrar da minha infância, uma série de profissões que existiam, como datilógrafo, ascensorista de elevador ou telefonista, não existem mais. Toda a tecnologia quando chega substitui algumas funções, às vezes alguns empregos. Mas a gente não faz ideia da quantidade de novas funções que vão ser criadas", afirma.
São Paulo Innovation Week
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos (side events) gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.
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