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Inteligência artificial ajuda a controlar riscos e atrair investimentos para infraestrutura

O trabalho de mensuração e previsão de catástrofes climáticas ajuda a atrair recursos para projetos, dizem especialistas que participam do evento 'P3C 2026', nesta terça-feira, 24

24 fev 2026 - 15h37
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Em que situação você acha que podem acontecer mais acidentes rodoviários: durante tempo bom ou com chuva e tempestade? Se apostou no tempo ruim, errou. "Por incrível que pareça, quando cai muita água, os motoristas tomam mais cuidado e muitos nem fazem a viagem sob tempo ruim", explicou André Isper, diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

A agência chegou a essa conclusão após análise, por meio de inteligência artificial, de dados de acidentes nas estradas do Estado de São Paulo.

Esse trabalho de mensuração e compilação de dados foi apontado como a principal ferramenta que agências reguladoras e concessionárias de rodovias têm atualmente para atrair investimentos para o setor, segundo Insper e os participantes do painel "Como atrair mais investidores aos projetos existentes", nesta terça-feira, 24, durante o P3C 2026.

O evento, realizado pela plataforma Necta e correalizado com o Estadão, o escritório Portugal Ribeiro & Jordão Advogados e a B3, reúne governo, investidores e iniciativa privada do setor de infraestrutura.

Pedro Bruno Barros de Souza, André Isper, Guilherme Theo Sampaio, Camillo Fraga, Adailton Cardoso Dias e Tarcila Reis discutem 'Como atrair mais investidores'
Pedro Bruno Barros de Souza, André Isper, Guilherme Theo Sampaio, Camillo Fraga, Adailton Cardoso Dias e Tarcila Reis discutem 'Como atrair mais investidores'
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

"Modelos criados por IA podem ajudar a prever acidentes, dizer onde eles ocorrem e quando. Em conjunto com dados meteorológicos, também conseguem evitar a queda de barreiras e a interdição de rodovias. Tudo isso aumenta a rentabilidade das concessionárias e minimiza o risco para os investidores que planejam aplicar em projetos já existentes", disse Isper.

Esse controle e monitoramento de riscos é fundamental para os investidores, diz Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que também participou do painel. "A tecnologia é fundamental para fazer esse monitoramento de riscos e prevenir que eles aconteçam", disse ele.

Free Flow

Outra tecnologia apontada pelos participantes do painel que ajuda atrair investimentos é a da cobrança eletrônica de pedágio, na qual o usuário passa por pórticos sem precisar parar para cobrança das tarifas.

"Com o free flow, por exemplo, veículos que antes não passavam pelos pedágios, como aqueles caminhões enormes, agora pagam a tarifa. Eles se utilizavam da rodovia, causavam deterioração e não pagavam a tarifa", afirmou Pedro Bruno Barros de Souza, secretário de infraestrutura, mobilidade e parcerias do governo de Minas Gerais.

Essa maior arrecadação ajuda a dar mais previsibilidade de renda aos investidores, segundo Gustavo Palhares, sócio-fundador e presidente da Houer, empresa de desenvolvimento de projetos de engenharia na área de infraestrutura. "O problema é que não está claro ainda para o usuário como pagar a tarifa", disse ele.

O secretário-adjunto de infraestrutura econômica do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República, Adailton Cardoso Dias, concorda. "Os governos têm uma falha antiga de comunicação e é isso que está acontecendo com o free flow", disse ele.

Embora consolidado em outros países, nos dois anos de operação no Brasil em rodovias federais, as multas por inadimplência já ultrapassaram R$ 2 milhões. O free flow já opera em trechos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e segue em fase de expansão.

Por isso, o Ministério Público Federal (MPF) move ação para proibir multas por falta de pagamento em sistema de cobrança eletrônica na Via Dutra, parte da BR-116, nas áreas da capital paulista e dos municípios de Guarulhos e Arujá. A concessionária da via é a empresa Motiva, desde 2022.

A ação civil pública tem como foco as cobranças no sistema eletrônico sem cancelas, conhecido como Free Flow, que para o MPF "constitui um serviço alternativo oferecido aos motoristas para evitarem congestionamentos em vias laterais", não sendo, portanto, um pedágio.

Todas essas pendências precisam ser resolvidas, já que além de causar prejuízos, afastam o investidor, disse Dias.

Estadão
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