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Inflação nos EUA sobe menos, mas ameaça de Trump à independência do Fed gera alertas

Dados deram fôlego às principais bolsas de Nova York nesta terça, mas alívio foi breve com preocupações com o BC dos EUA e as tensões geopolíticas globais

13 jan 2026 - 15h18
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NOVA YORK - Sinais mais benignos da inflação ao consumidor americano em dezembro sucumbiram a preocupações sobre a ameaça à independência do Federal Reserve (Fed), após a abertura de uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, em inglês) contra o presidente Jerome Powell. De Wall Street ao outro lado do Atlântico, banqueiros reforçam os alertas quanto aos riscos para a maior economia do mundo: preços e juros mais altos ao longo do tempo.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,3% em dezembro em base ajustada sazonalmente, e 2,7% na comparação anual, informou nesta terça-feira, 13, o Departamento do Trabalho. Ambos vieram praticamente em linha com a expectativa de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, de altas de 0,3% e 2,6%, respectivamente.

Por sua vez, o núcleo do CPI, que exclui os voláteis preços de energia e alimentos, avançou 0,2% em dezembro e 2,7% em 12 meses. Nesse caso, tanto a variação mensal quanto a anual ficaram abaixo do que o mercado previa, de 0,35% e 2,7%, nesta ordem.

Os dados deram fôlego às principais bolsas de Nova York, minutos antes da abertura dos negócios em Wall Street, mas o alívio foi breve. As preocupações com a independência do Fed e as tensões geopolíticas globais voltaram a pesar. No centro das discussões está o risco de o Banco Central dos Estados Unidos se tornar mais politizado, após nova tentativa do governo do presidente Donald Trump de pressionar os dirigentes da instituição, em meio à investigação criminal do DoJ contra Powell.

O presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, afirmou a repórteres nesta terça-feira que qualquer ameaça à independência do Fed "não é uma boa ideia". Na sua visão, uma interferência política na autoridade monetária pode ter o efeito contrário, elevando a inflação e os juros ao longo do tempo.

"Todos os que conhecemos acreditam na independência do Fed", disse Dimon, ao comentar os resultados do banco no quarto trimestre de 2025, a jornalistas. "Qualquer coisa que ameace isso provavelmente não é uma boa ideia. E, na minha opinião, terá consequências opostas. Isso aumentará as expectativas de inflação e provavelmente elevará as taxas de juros ao longo do tempo", alertou.

Mais cedo, banqueiros centrais do mundo publicaram um manifesto em conjunto, no qual afirmam que a independência dos Bancos Centrais é um "pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica" e que é "crucial" respeitá-la. O presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo, assinou a carta ao lado de nomes como a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, e outros.

Já o economista americano Paul Krugman acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estar "venezuelando" o país após a abertura de uma investigação criminal contra Powell. O vencedor do prêmio Nobel de 2008 também atentou para o risco de o tiro de Trump sair pela culatra. "O Fed relutará em cortar taxas, mesmo que isso possa fazer sentido, para não parecer que a intimidação (de Trump) está funcionando", avaliou.

De acordo com ele, mesmo um Banco Central politizado só conseguiria reduzir os juros de forma temporária, pois à medida que a inflação aumenta, a autoridade é forçada a subir as taxas. Além disso, atacar a independência do Fed pode empurrar as taxas de juros de longo prazo para cima, que são as que importam para a economia, disse.

Os dados do CPI de dezembro serviram, porém, de combustível para Trump renovar as críticas a Powell. Para o republicano, a leitura do indicador é uma evidência de que Powell "deveria cortar as taxas de juros, de forma SIGNIFICATIVA!!!". Caso contrário, afirmou, o dirigente "vai apenas continuar sendo 'ATRASADO DEMAIS!". "Powell é idiota, incompetente ou desonesto, mas certamente ele não faz um bom trabalho", disse Trump, a repórteres, nesta terça-feira, antes de embarcar para uma viagem a Michigan, onde fará um discurso sobre economia.

Apesar disso, as chances de uma manutenção dos juros na reunião do Fed deste mês, a primeira de 2026, superam os 97%, mostra levantamento da plataforma CME Group. Wall Street mantém a aposta de que o primeiro corte nas taxas americanas virá somente no encontro de junho, cuja probabilidade é estimada abaixo de 50%.

O economista-chefe adjunto para a América do Norte da Capital Economics, Stephen Brown, explica que, apesar dos dados positivos do CPI de dezembro, a má notícia para o Fed é que os componentes-chave que alimentam o núcleo do índice de preços de gastos de consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA estão "relativamente fortes", após certa fraqueza provocada pela paralisação da máquina pública americana nos dois meses anteriores. Ele lembra ainda que essa é a medida de inflação preferida pelo BC americano.

Nesta terça, o presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, defendeu cautela antes de cortar os juros no país. "É desnecessário e não recomendável colocar a política monetária em uma postura acomodatícia neste momento", disse. O dirigente afirmou ainda que a independência do Banco Central e da política monetária é a porta para melhores resultados.

Estadão
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