Inflação longe da meta requer mais atenção de Lula
Cuidar da mesa brasileira tem ficado um pouco mais fácil, com a boa oferta de produtos agrícolas; se nenhum desastre ocorrer, o quadro geral poderá ficar mais favorável
Ruim, mas nem tanto, o avanço da inflação mensal de 0,26% em junho para 0,33% em julho levou a taxa acumulada em 12 meses a 5,30%, pouco acima dos 5,27% registrados até junho. A alta no período equivalente a um ano foi bem superior ao teto da meta, 4,50%, mas o conjunto negativo foi pelo menos atenuado pela menor pressão dos custos da comida.
Os preços da alimentação baixaram 0,02% e 0,06% nos dois meses finais do período, dando às famílias um pequeno alívio nas condições de vida e na administração de suas contas. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A produção rural continua, portanto, facilitando o dia a dia dos brasileiros, além de sustentar, por meio da exportação, boa parte do comércio exterior do País. O tempo tem favorecido a produção nas principais zonas da agropecuária.
O presidente americano Donald Trump, em novo surto de agressividade, é a principal fonte de risco para a economia brasileira no momento. Mas ele se mostrou inclinado, até agora, a respeitar as importações de alimentos originários do Brasil. Barrar esse comércio resultaria, como até ele deve ter notado, em riscos inflacionários para os consumidores americanos.
Cuidar da mesa brasileira tem ficado um pouco mais fácil, com a boa oferta de produtos agrícolas. Se nenhum desastre ocorrer, o quadro geral poderá ficar mais favorável, depois do estouro da meta oficial de 4,50% nos últimos 12 meses.
Mas o custo da habitação permanece desafiador, depois da alta acumulada de 5,37%. Esse custo foi impulsionado principalmente pelas tarifas de eletricidade, com aumento anual de 6,57%. Além de comida na mesa, as famílias precisam, para suas condições mínimas de sobrevivência e conforto, de um teto protetor. Além do custo da energia, seus orçamentos foram também afetados, em 12 meses, pela alta de 4,85% nos aluguéis e taxas.
Como sempre, o governo poderá contribuir para a contenção do custo de vida se contiver seus gastos e avaliar com muito cuidado cada item das despesas. Esse tipo de preocupação continua sustentado, no Executivo federal, principalmente — e quase exclusivamente — pelo ministro da Fazenda.