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Inflação é o maior risco aos mercados de dívida em "grande teste de estresse", diz autoridade da OCDE

4 mar 2026 - 10h13
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A inflação é o ‌principal risco enfrentado pelos mercados globais de títulos, disse um autoridade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) à Reuters, à medida que os preços da energia disparam com a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra ⁠o Irã.

"Agora estamos passando por outro grande teste de estresse", ‌disse nesta quarta-feira Carmine Di Noia, diretor de assuntos financeiros e empresariais da OCDE, em entrevista antes da ‌divulgação do relatório anual sobre dívida da ‌organização sediada em Paris.

Os preços do petróleo acumulam ⁠alta de 16% esta semana e os rendimentos dos títulos governamentais aumentaram devido aos temores dos investidores em relação à inflação caso os preços mais altos da energia persistam.

Se isso acontecer, os rendimentos mais elevados dos títulos "exercerão uma pressão ‌ainda maior" sobre os mercados de dívida, uma vez que as ‌necessidades de financiamento ⁠e os ⁠custos de empréstimos continuam elevados, acrescentou Di Noia.

A OCDE estima que governos ⁠e empresas tomarão empréstimos ‌de US$29 trilhões este ‌ano, acima dos US$25 trilhões do ano passado.

Eles reduziram os prazos de vencimento das novas dívidas que vendem e os rendimentos mais elevados podem reforçar essa dinâmica, disse ⁠Di Noia.

Ele observou que o conflito alimentou a incerteza em um momento em que a base de investidores dos mercados de títulos está mudando. Investidores sensíveis aos preços, como os fundos de hedge, ‌estão desempenhando um papel mais importante nos mercados, o que, segundo a OCDE, pode alimentar a volatilidade.

A participação da ⁠emissão de títulos públicos com vencimento em mais de 10 anos atingiu seu ponto mais baixo desde 2009 e o menor registrado para empresas em 2025, disse o relatório da OCDE.

Isso aumenta o risco de refinanciamento, que atingiu um recorde de US$13,5 trilhões, chegando a 80% dos empréstimos dos países da OCDE em 2025, à medida que mais dívidas vencem mais cedo e os rendimentos crescentes alimentam mais rapidamente os custos da dívida. Os mercados emergentes, onde mais de um terço do estoque da dívida vence nos próximos três anos, são particularmente vulneráveis.

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