'Profissional do crime': entenda por que Daniel Vorcaro foi preso pela PF
Banqueiro foi detido preventivamente na manhã desta quarta-feira, 4, em São Paulo
A Polícia Federal (PF) citou os argumentos de que Daniel Vorcaro e seus aliados atuaram como "profissionais do crime" com a captação ilícita de servidores públicos, além da contratação de influenciadores para atacar autoridades públicas para pedir a prisão preventiva do banqueiro e de outras pessoas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Vorcaro foi detido na manhã desta quarta-feira, 4, em São Paulo.
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"Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia (leia-se a "Turma"), como comprovado nesta representação policial", escreveu a PF. O trecho consta na decisão de Mendonça à qual o Terra teve acesso.
Ainda de acordo com o documento, a PF afirma que o "intento de Daniel Vorcaro não pode prosperar", porque a investigação estará em risco e inclusive a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração.
"A presente investigação criminal sobre organização criminosa estará em risco, reprise-se, risco concreto, inclusive quanto a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração (PF, MPF, STF, BCB), enquanto não houver a completa neutralização do braço armado da organização criminosa, em toda sua extensão, isto é, do comando exercido por Daniel Vorcaro, seu braço financeiro controlado por Fabiano Zettel, e seu "sicário" Felipe Mourão, além dos membros da "Turma" liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno."
Segundo o documento, a contratação de influenciadores se deu mesmo após Vorcaro ter sido preso em novembro do ano passado.
As "ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do "Projeto DV" foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025 e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando assim uma decisão da Autarquia Federal", diz a PF.
Além disso, foi citado para o pedido de prisão o risco de evasão de Vorcaro, que segue presente, "na medida em que ainda possui jatos privados, bem como extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais".
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro informou "que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça".
"A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições", acrescenta o comunicado.
