Modelo de crescimento da Europa está chegando ao fim, afirma presidente do Eurogroup
O modelo econômico europeu, que há décadas se baseia fortemente na expansão da força de trabalho, está se esgotando, afirmou nesta quarta-feira o presidente dos ministros das Finanças da zona do euro, apontando para a necessidade de mobilizar poupanças para financiar investimentos e inovação.
Kyriakos Pierrakakis disse em uma conferência organizada pelo Banco Europeu de Investimento que a economia europeia enfrenta fortes ventos contrários em termos demográficos e que, até 2040, sua força de trabalho, atualmente em torno de 200 milhões de pessoas, poderá diminuir em cerca de dois milhões de pessoas por ano.
"Isso é importante porque muda a equação. O crescimento não pode mais depender da expansão da oferta de mão de obra. Ele deve vir de uma maior produtividade. E uma maior produtividade vem da inovação, do investimento e da alocação eficiente de capital", afirmou.
"O modelo de crescimento que sustentou a prosperidade europeia durante décadas está a atingir os seus limites", afirmou.
Pierrakakis disse na conferência que a tarefa estratégica da União Europeia é mobilizar o capital de forma mais eficaz para financiar a inovação e a expansão.
"Essa é a única alavanca que pode aumentar a produtividade, aumentar a renda, fortalecer a autonomia estratégica e construir resiliência", disse ele.
O bloco de 27 nações procura integrar os seus diferentes mercados de capitais num mercado único onde o capital fluiria mais livremente, para que cerca de 10 a 11 trilhões de euros (12,8 trilhões de dólares) das poupanças dos europeus em depósitos bancários possam ser utilizados de forma mais produtiva para financiar o crescimento de empresas inovadoras.
A integração tem sido lenta devido a interesses nacionais e diferenças políticas, mas as mudanças geopolíticas nos últimos 12 meses deram à iniciativa um novo sentido de urgência.