Indústria: uso da capacidade instalada cai a 80,9% em março
No mês, houve forte retração do faturamento e queda em quase todos os indicadores industriais
O uso da capacidade instalada recuou em março ante fevereiro ao mesmo tempo em que houve forte retração do faturamento e queda em quase todos os indicadores industriais, reforçando os sinais das dificuldades da indústria brasileira em engatar uma recuperação mais firme neste início de ano.
Em março, a utilização da capacidade instalada na indústria ficou em 80,9%, com dados dessazonalizados, ante 81,9% em fevereiro, conforme dados apresentados nesta quinta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O faturamento real dessazonalizado da indústria caiu 6,3% frente ao mês anterior, na maior retração mensal desde novembro de 2008 e revertendo integralmente a alta de 4,4% registrada em fevereiro.
As horas trabalhadas na produção diminuíram 2,4% em março na comparação com o mês anterior. A massa salarial e o rendimento médio recuaram 2,4% e 0,6%, respectivamente.
O único indicador a apresentar expansão foi o emprego, com aumento de 0,3% frente a fevereiro.
A CNI atribui o desempenho ruim da indústria em março ao feriado de Carnaval. "O Carnaval aconteceu em março, quando geralmente acontece em fevereiro. Dessa forma, influenciou positivamente os resultados das vendas em fevereiro e negativamente em março."
No trimestre, o faturamento mostrou aumento de 2,7% na comparação com igual período do ano anterior. No período, o emprego teve alta de 1,7%, a massa salarial avançou 5,5% e o rendimento médio real mostrou acréscimo de 3,7%. No período, as horas trabalhadas na produção tiveram queda de 0,1%.
Ainda que em sua maioria os indicadores mostrem variação positiva no trimestre, o desempenho foi marcado por volatilidade sem indicações de que o setor industrial ingressou em trajetória contínua de expansão.
Em outro indicador do setor, a produção industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e apresentada na quarta-feira mostrou queda de 0,5% em março, influenciada pelo recuo de 3,6% no segmento de bens de capital, medida de investimentos no País.