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Importação chinesa de soja do Brasil cai a 72,8% do total exportado, aponta Cargonave

15 mai 2019
15h30
atualizado às 15h51
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A China importou pouco mais de 20 milhões de toneladas de soja do Brasil, das 27,6 milhões de toneladas exportadas pelo país entre janeiro a abril, apontando um recuo na fatia do produto brasileiro levada pelos maiores importadores globais, para 72,8 por cento, de acordo com dados publicados nesta quarta-feira pela agência marítima Cargonave.

Navio é carregado com soja para exportação à China no Porto de Santos (SP) 
13/03/2017
REUTERS/Paulo Whitaker
Navio é carregado com soja para exportação à China no Porto de Santos (SP) 13/03/2017 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

No primeiro quadrimestre do ano passado, a exportação total do Brasil, maior exportador global, havia atingido 29,74 milhões de toneladas, com os chineses tomando 23,08 milhões, ou 77,60 por cento do total embarcado, segundo dados da agência.

O recuo nas compras chinesas de soja ocorreu em um período turbulento, marcado por uma certa trégua na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o que permitiu algumas compras do produto norte-americano pelos chineses apesar das tarifas impostas.

Além disso, a demanda na China está relativamente mais branda, com o consumo de farelo de soja sendo impactado pela disseminação da peste suína africana nas criações, que são abatidas à medida que a doença avança.

No front comercial, a China concordou em retomar algumas compras da commodity dos EUA depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente chinês Xi Jinping concordaram, em 1º de dezembro de 2018, com uma trégua de 90 dias na disputa comercial entre os países.

Os chineses normalmente compram soja dos Estados Unidos no último trimestre e nos primeiros dois meses do ano, quando a oferta dos EUA está mais competitiva, em geral.

Mas a guerra comercial alterou os fluxos, com os grãos brasileiros sendo beneficiados fortemente ao longo de 2018 e menos após a trégua entre EUA e China.

No início do ano, autoridades chineses chegaram a anunciar a intenção de compras de 10 milhões de toneladas do produto dos EUA, que acabaram não se confirmando totalmente. Foram vistos apenas grandes acordos, de uma só vez, de cerca de 1 milhão de toneladas cada pelos chineses.

Apesar da trégua vista em alguns momentos na guerra comercial, a tarifa retaliatória chinesa de 25 por cento para a soja dos EUA foi mantida, o que não impediu algumas compras de "boa-vontade" realizadas pela China.

Enquanto as negociações para resolver a guerra comercial entre EUA e China estagnaram na semana passada, Trump aumentou a pressão na sexta-feira ao elevar as tarifas sobre uma lista anterior de 200 bilhões de dólares em importações chinesas para 25%, ante 10%, provocando nova reviravolta nos mercados.

A China retaliou na segunda-feira com tarifas mais altas sobre uma lista revisada de 60 bilhões de dólares em produtos dos EUA, trazendo preocupações de que a guerra comercial não deve se resolver no curto prazo.

MAIORES EXPORTADORES

Entre as principais companhias exportadoras no primeiro quadrimestre, a Cargill aparece na liderança nos embarques de soja para a China, com 3,2 milhões de toneladas, de um total embarcado de 4,3 milhões de toneladas para todos os países, segundo dados da Cargonave.

Em segundo lugar vem a Louis Dreyfus, com 2,86 milhões de toneladas embarcadas aos chineses, de um total de 3,4 milhões embarcadas para todos os destinos.

Na terceira posição vem a Bunge, com 2,46 milhões de toneladas, ante exportações totais no período de 3,9 milhões de toneladas.

A chinesa Cofco aparece em sétimo lugar entre aquelas empresas que mais embarcaram para a China no quadrimestre, com pouco mais de 1 milhão de toneladas, versus uma exportação total de 1,67 milhão de toneladas.

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