Ibovespa fecha estável com Oriente Médio no radar
O Ibovespa encerrou a terça-feira estável, após mais um dia de volume de negócios reduzido, em meio a sinais contraditórios vindos do conflito no Oriente Médio, enquanto investidores também aguardam a divulgação do relatório de produção da Vale.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou com oscilação negativa de 0,03%, a 173.325,65 pontos, após marcar 172.218,88 na mínima e 173.719,5 na máxima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$17,9 bilhões, abaixo da média diária de R$33,7 bilhões no ano.
Em mais um dia de tensões e indefinições no Oriente Médio, as forças norte-americanas bombardearam alvos no sul e no oeste do Irã durante a madrugada, enquanto Teerã atacou instalações dos EUA no Barein, no Kuweit e na Jordânia, e pelo menos um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, hoje a tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país atacará "muito em breve" a região da Montanha Pickaxe, localizada próxima à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã. Na segunda-feira, uma alta autoridade iraniana havia dito à Reuters que Teerã recebeu uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias.
A falta de definição no conflito mais uma vez fez os futuros do Brent subirem 2%, fechando a US$91,01 o barril.
Enquanto isso, em Nova York, as bolsas fecharam em alta firme, impulsionadas pela forte recuperação nas ações do setor de chips, que ajudou a desviar o foco das recentes hostilidades no Oriente Médio e das disputas tarifárias. O SPX fechou em alta de 0,88%.
Localmente, os investidores aguardam a divulgação do relatório de produção de segundo trimestre da Vale, que será publicado nesta terça, após o encerramento das negociações.
"Para os próximos dias, o foco dos mercados permanece dividido entre dois grandes temas: a evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã, que continuará determinando o comportamento do petróleo, e a temporada de balanços das grandes empresas de tecnologia norte-americanas, que deverá oferecer novas sinalizações sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial e sobre a continuidade do movimento de recuperação do setor", escreveu Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil.
DESTAQUES
•PETROBRAS PN subiu 1,24% e PETROBRAS ON avançou 1,43%, em linha com a alta do petróleo no exterior.
•VALE ON subiu 0,43%, antes da divulgação do relatório de produção do segundo trimestre. Na contramão, o contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China caiu 1,12%, para US$110,74.
•ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,54%, após uma sessão volátil para os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN avançou 0,76% e SANTANDER BRASIL UNIT ganhou 0,74%, enquanto BANCO DO BRASIL ON subiu 3,52%.
•MARFRIG ON disparou 4,06%, liderando os ganhos do Ibovespa. Mais cedo, a companhia divulgou que seu conselho de administração aprovou o cancelamento de 21,4 milhões de ações ordinárias mantidas em tesouraria, sem redução do valor do capital social.
•HYPERA ON caiu 5,51%, liderando as perdas da bolsa, em dia negativo para ações ligadas ao setor de saúde, com RD mostrando recuo de 3%. O segmento reage a sanção, na segunda-feira, da lei que institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). "A estratégia busca utilizar o poder de compra do SUS para reduzir a dependência externa do Brasil em medicamentos, vacinas e dispositivos médicos, fortalecer laboratórios públicos e ampliar o acesso da população a tecnologias estratégicas de saúde", segundo nota publicada no site do Ministério da Saúde.
•EMBRAER ON teve queda de 0,77%. A companhia anunciou pela manhã acordos com companhias, incluindo um com o Grupo Abra para adquirir até 45 aviões E195-E2, além de outro com a Azorra para até 30 E-Freighters.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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