Ibovespa tem 2ª melhor semana do ano com estrangeiro e cena eleitoral
O Ibovespa acumulou alta semanal de 5,40%, seu segundo melhor resultado do ano, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro e pelo cenário eleitoral doméstico, que reduziu o prêmio de risco fiscal. Na sexta-feira, o índice fechou estável a 185.147 pontos (-0,02%), pressionado por dados fortes de emprego nos Estados Unidos, que elevaram as apostas de aperto monetário pelo Fed e motivaram cautela nos mercados globais, enquanto analistas alertam para volatilidade no curto prazo.
O Ibovespa fechou praticamente estável nesta sexta-feira, mas assegurou o segundo melhor desempenho semanal do ano com o retorno de estrangeiros e a disputa presidencial no foco.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa terminou com variação negativa de 0,02%, a 185.147,15 pontos, tendo marcado 186.544,81 na máxima e 183.251,93 na mínima do dia.
O volume financeiro somou R$25,06 bilhões, em pregão véspera de fim de semana prolongado pelo feriado do Dia da Independência no Brasil na segunda-feira.
Na semana, o Ibovespa acumulou uma valorização de 5,40%, chegando a rondar os 189 mil pontos no melhor momento. No ano, tal desempenho só perde para a alta de 8,53% registrada na semana encerrada em 23 de janeiro.
Setembro começou com o retorno do capital externo para as ações brasileiras, com os primeiros dois pregões do mês registrando um saldo positivo de R$2,2 bilhões, segundo os dados da B3, o que apoiou um fôlego também embalado pelo "trade eleitoral".
Pesquisas mostrando redução na vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um potencial segundo turno da eleição presidencial de outubro também repercutiram nos negócios.
Uma parcela do mercado avalia que a alternância no poder em Brasília terá um efeito benéfico para as perspectivas fiscais do país.
De acordo com a analista de renda variável Bruna Sene, da Rico, o desempenho dos ativos na semana refletiu, em grande parte, uma reprecificação de expectativas sobre a condução das contas públicas a partir de 2027.
Sene destacou, porém, que é o movimento reduz prêmio de risco no curto prazo, mas segue sujeito a reversão conforme o cenário evoluir. "Trata-se de um rali de expectativa, com volatilidade alta pela frente até que haja mais clareza."
Na visão do analista de investimentos Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o cenário permanece favorável para o Ibovespa, mas ele acumula forte valorização e começa a apresentar sinais de realização, exigindo novos catalisadores para renovar as máximas.
Nesta sexta-feira, após quebrar na véspera uma sequência de 11 altas, o Ibovespa abriu enfraquecido por dados dos Estados Unidos alimentando apostas de uma alta na taxa de juros na maior economia do mundo neste mês.
De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, foram abertas 162 mil vagas de emprego fora do setor agrícola no mês passado, bem acima das previsões, que apontavam a criação de 56 mil postos.
Os números de julho foram revisados para cima, mostrando a abertura de 21 mil postos, ante fechamento de 23 mil vagas divulgado anteriormente. A taxa de desemprego em agosto permaneceu em 4,1%.
De acordo com a ferramenta FEDWATCH, da CME, a chance de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa, atualmente no intervalo de 3,50% a 3,75%, estava em 58,4% no final da tarde, de 48,4% um dia antes.
Na visão de economistas do Bradesco, um mercado de trabalho mais firme poderia ser lido como o gatilho que faltava, mas o "payroll" tem fornecido leituras erráticas com inúmeras revisões.
"A decisão continuará sendo definida pelos dados de preços", afirmou a equipe liderada por Fernando Honorato, em relatório a clientes.
"Para o FOMC de setembro, o debate deixou de ser sobre o timing do corte e passou a ser sobre a eventual necessidade de uma alta", acrescentou, referindo-se à reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed nos próximos dias 15 e 16.
Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário dos EUA, caiu 0,38%. No final do dia, o rendimento do Treasury de 10 anos marcava 4,784%, de 4,762% na véspera.
DESTAQUES
• VALE ON subiu 0,22%, em linha com o avanço dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou a sessão com alta de 1,04%. O jornal The Globe and Mail também publicou na quinta-feira, citando fontes, que a Vale suspendeu os planos de realizar uma oferta pública inicial (IPO) de sua unidade de minerais críticos, a Vale Metais Básicos.
• PETROBRAS PN recuou 0,95% e PETROBRAS ON cedeu 1,08%, mesmo com a alta dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril sob o contrato Brent subiu 0,8%, a US$96,28. Também no radar, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar mais três novos poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, de acordo com um documento visto pela Reuters.
• ITAÚ UNIBANCO PN fechou estável, em sessão de acomodação no setor, com BRADESCO PN subindo 0,62% e BANCO DO BRASIL ON valorizando-se 0,31%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,03%.
• MINERVA ON subiu 4,22%, retomando o fôlego após recuar em quatro dos últimos seis pregões. No setor de proteínas, MBRF ON caiu 3,7% e JBS, que é listada nos EUA, recuou 0,84%. Investidores acompanham potenciais medidas envolvendo o setor nos EUA. Fontes a par da situação afirmaram à Reuters que o presidente Donald Trump deve assinar um decreto relacionado à carne bovina nesta sexta-feira.
• ULTRAPAR ON fechou em alta de 2,66%, enquanto VIBRA ON subiu 0,33%, tendo como pano de fundo relatório do UBS BB que reiterou recomendação de compra para as ações e elevou os respectivos preços-alvos. No caso da Ultrapar, o preço-alvo passou de R$36 para R$41. Para a Vibra, aumentou de R$38 para R$42.
• IRB(RE) ON, que não faz parte do Ibovespa, valorizou 4,64%, após o Senado aprovar projeto de lei que reduz impostos pagos pelas resseguradoras nacionais. O texto segue agora para sanção presidencial.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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