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Haddad diz que 'andar de cima' quer ajuste fiscal para 'pobre da periferia pagar'

Ministro da Fazenda afirmou que aceitou cargo no governo após reafirmar com o presidente Lula que o projeto de 'pobre no Orçamento e rico no Imposto de Renda' era sério

27 jun 2025 - 12h41
(atualizado às 13h10)
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 27, que o "andar de cima" quer fazer um ajuste fiscal no Brasil para o pobre da periferia pagar. A declaração ocorreu durante um evento na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, onde o ministro se formou.

Segundo ele, "quando chamam o pessoal da cobertura para pagar o condomínio", para contribuir com o ajuste fiscal, o ajuste deixa de ser interessante.

O ministro também disse que a esquerda não é contra o ajuste fiscal, mas a questão é que "historicamente, ajuste fiscal é supressão de direitas no Brasil".

Segundo ele, a primeira pergunta a se fazer quando se propõe um ajuste fiscal é quem vai pagar a conta. Para o ministro, não dá mais para "onerar quem está pedindo socorro".

Haddad ressaltou que a desigualdade é a maior fraqueza do País, e por isso a sociedade precisa entender que "a desigualdade tem que ser corrigida junto do ajuste — senão, a desigualdade vai ser maior depois".

O ministro reafirma que o governo irá olhar para quem "não comparece, e não comparece historicamente" em termos de impostos.

Haddad relembrou que aceitou o cargo de ministro da Fazenda após reafirmar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o projeto de "pobre no Orçamento e rico no Imposto de Renda", um dos temas de campanha de Lula, era sério.

"Lula disse, no meio da campanha, que quer colocar 'pobre no Orçamento e rico no Imposto de Renda'. E eu olhei e falei 'boa ideia'", disse.

O ministro afirmou que o Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, mas figura entre os dez piores do ponto de vista de desigualdade. "É uma contradição inaceitável." Ele então enfatizou que não é possível o Brasil ostentar estar no pelotão da frente da economia mundial, quando tem "muita gente sendo deixada para trás", em alusão à desigualdade social.

Haddad também afirmou que o Brasil deve considerar o momento desafiador da política mundial atual como uma oportunidade. "O Brasil é referência hoje no mundo na defesa da democracia, da Constituição, e não podemos abdicar dessas bandeiras", disse.

As declarações de Haddad ocorrem após a derrota do governo no Congresso, que derrubou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Haddad já havia indicado que recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) era uma alternativa, mas o governo ainda não ingressou na Corte com um recurso.

Nesta sexta-feira, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) informou que ingressou no STF com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para suspender o decreto legislativo que derrubou as regras estabelecidas pelo governo em relação ao IOF.

O PSOL alega que há "usurpação da competência privativa do Executivo" e violação do princípio da separação dos Poderes na decisão do Congresso de derrubar o decreto. O partido diz que o tema do IOF "é de iniciativa exclusiva da Presidência da República".

Estadão
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