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Guerra ameaça estrangular produção de petróleo no Oriente Médio

9 mar 2026 - 15h20
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Preço do barril chegou perto dos 120 dólares nesta segunda com desenrolar do conflito no Oriente Médio. Com petroleiros parados e ataques a reservatórios, produtores da região estão ficando sem espaço para armazenamentoO barril de petróleo chegou perto dos 120 dólares nesta segunda-feira (09/03), depois que Israel continuou a atacar a infraestrutura energética do Irã no fim de semana e Teerã anunciou Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do país.

Oriente Médio fornece cerca de um terço do petróleo bruto para o mundo
Oriente Médio fornece cerca de um terço do petróleo bruto para o mundo
Foto: DW / Deutsche Welle

Os desdobramentos do conflito que já dura 10 dias causaram novos temores nos mercados globais de energia, com o petróleo Brent chegando a atingir a cotação de 119,50 dólares por barril.

No mesmo dia, o preço recuou para 93 dólares, mas o agravamento do conflito continua a aumentar o risco para a infraestrutura energética em todo o Oriente Médio, onde os produtores já estão lutando contra os danos causados pelos ataques iranianos e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota de transporte mais importante do mundo para o combustível fóssil.

Com a redução das instalações de armazenamento para exportação da commodity, a questão agora é se a produção de petróleo do Golfo pode ser interrompida em poucos dias.

Pior cenário possível com bloqueio de Ormuz

Os países produtores de petróleo do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Bahrein) foram diretamente afetados pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

O Irã buscou envolver as nações da região no conflito, lançando ataques contra instalações energéticas, aeroportos, hotéis e áreas residenciais, e contra bases militares dos EUA na região. Estas ações foram seguidas por acusações de "traição" e ameaças de potenciais retaliações militares.

Para agravar o cenário, o bloqueio pelo Irã do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma estreita via navegável que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, interrompeu quase todo o tráfego comercial, de acordo com a empresa de análise de transporte marítimo Kpler.

Por Ormuz passa cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo, o que faz do gargalo um ponto crítico no comércio de energia. Logo, o fechamento da rota é considerado o pior cenário possível para os mercados globais.

Armazenamento comprometido

Com os petroleiros e os navios de gás natural parados, os produtores do Golfo estão à espera da reabertura do Estreito de Ormuz.

Embora a Arábia Saudita e os Emirados Árabes usem rotas alternativas para exportar parte de seus insumos energéticos através do Mar Vermelho e do Golfo de Omã, outros produtores do Golfo contam somente com uma capacidade de armazenamento que vem diminuindo, já que não conseguem escoar o combustível fóssil.

De acordo com o banco JP Morgan, os países do Golfo, juntos, podem armazenar cerca de 343 milhões de barris de petróleo para adiar a interrupção na produção.

No entanto, o Estreito de Ormuz escoa diariamente cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto, além de mais de 4 milhões de barris de produtos refinados, como gasolina, diesel e querosene de aviação.

Segundo cálculos do JP Morgan, os países do Golfo Pérsico tinham apenas 22 dias de reserva de armazenamento quando a guerra começou, em 28 de fevereiro.

Que sinais de uma possível interrupção?

O Iraque, que tinha apenas seis dias de armazenamento, provavelmente já esgotou sua capacidade, o que levou Bagdá a reduzir a produção em cerca de 1,5 milhão de bpd na semana passada.

A Rystad Energy alertou, aindna semana passada, que os campos petrolíferos restantes do Iraque enfrentavam "uma interrupção iminente e quase certa".'

A Arábia Saudita, por sua vez, tinha 66 dias de armazenamento em 28 de fevereiro, de acordo com o JP Morgan. Esse número pressupõe que o reino saudita poderá redirecionar parte de suas exportações de petróleo para outras rotas.

Já a Rystad Energy acredita que os sauditas teriam apenas de 7 a 9 dias restantes antes de serem obrigados a cortar a produção.

A Saudi Aramco está redirecionando o máximo possível de petróleo para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, enquanto os Emirados Árabes decidiram enviar parte de suas exportações por Fujairah, cidade que também foi atingida pelo Irã.

Essas rotas alternativas, no entanto, representam apenas um terço do petróleo que normalmente flui pelo Estreito de Ormuz.

Nesta segunda-feira (09/03), o Financial Times citou dados da Kayrros segundo os quais a Arábia Saudita parece ter reduzido a produção de petróleo, apesar de ter capacidade de armazenamento adicional. Cortes semelhantes foram corroborados pela Bloomberg News e pela agência de notícias Reuters.

O FT informou que os estoques observados do petróleo bruto saudita aumentaram mais de 4 milhões de barris no primeiro dia da guerra e, em seguida, ganharam apenas 2,4 milhões de barris nos cinco dias seguintes.

O grupo financeiro holandês ING afirmou que o Kuwait e os Emirados Árabes também começaram a reduzir suas produções da commodity.

Retomar a produção após uma paralisação, mesmo que temporária, pode ser um desafio, levando dias ou semanas para que o fluxo seja totalmente restabelecido. Uma paralisação prolongada, por sua vez, gera riscos ainda maiores, como falhas no equipamento ou problemas geológicos.

Qual impacto de uma paralisação do Golfo para os preços?

Uma paralisação total da maior parte da produção e das exportações de petróleo do Golfo certamente elevaria os preços, já que a região é responsável por cerca de um terço do petróleo bruto transportado por mar no mundo.

Na sexta-feira (06/03), o ministro da Energia do Catar afirmou ao Financial Times que o petróleo bruto poderia chegar a 150 dólares por barril se o conflito não for resolvido em breve e se for necessária uma interrupção na produção.

O ING também soltou um relatório nesta segunda indicando que, quanto mais tempo o cenário persistir, maior será a parcela da produção que terá de ser suspensa - ou seja, interrompida de forma deliberada por não haver como escoar o petróleo.

Também nesta segunda, a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que "disrupções prolongadas no abastecimento" poderiam levar o mercado a sair de um "excedente significativo", observado desde o início do ano passado, para um cenário de "déficit".

Em um sinal de que os governos podem acabar intervindo para controlar os preços, os ministros das Finanças do G7 agendaram uma reunião, prevista para esta segunda-feira, com o objetivo de discutir uma possível liberação conjunta de petróleo das reservas, informou o Financial Times.

Que foram os danos nas instalações energéticas do Golfo?

Depois que drones iranianos atacaram a maior refinaria da Saudi Aramco, Ras Tanura, em 2 de março, as autoridades sauditas fecharam as instalações para avaliar os danos. Ras Tanura tem capacidade de refino de 550 mil bpd e também é um importante terminal de exportação de petróleo bruto.

No mesmo dia, o Irã também atacou Ras Laffan, no Catar, a maior planta de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.

A QatarEnergy suspendeu as operações e declarou "força maior" - uma cláusula nos contratos que permite às empresas livrarem-se das obrigações de entrega devido a guerras e desastres naturais.

Apesar de o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ter pedido desculpas aos vizinhos do Golfo no sábado (07/03) e prometido interromper os ataques, as ofensivas esporádicas continuaram.

Na segunda-feira, um ataque noturno com drones atingiu a ilha de Sitra, no Bahrein, incluindo o extenso complexo da refinaria de petróleo Al Ma'ameer, provocando outra força maior nos embarques devido aos danos causados.

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou, também na segunda-feira, que as defesas aéreas do país interceptaram e destruíram quatro drones que se dirigiam ao campo petrolífero de Shaybah, no sudeste saudita.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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