BC corta Selic em 0,25 ponto, prega cautela e diz depender de informações para calibrar juros
O Banco Central decidiu nesta quarta-feira cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50% ao ano, em decisão unânime de sua diretoria, argumentando que precisará incorporar novas informações para definir os passos futuros da política monetária.
A autarquia defendeu serenidade e cautela na condução dos juros para que os passos futuros da calibração da Selic "possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo".
Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou que julgou apropriado dar sequência à calibração da Selic porque os juros contracionistas evidenciaram transmissão da política monetária e desaceleração da atividade, "criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis".
De acordo com o BC, a estratégia é adotada para assegurar o "nível compatível" dos juros com a convergência da inflação à meta.
Este foi o segundo corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros após o BC iniciar em março o chamado ciclo de "calibragem" da Selic, que agora vai ao nível mais baixo desde maio do ano passado, quando estava em 14,25%.
Em pesquisa da Reuters, 31 dos 35 economistas entrevistados entre 20 e 24 de abril projetaram que o BC cortaria a Selic em 0,25 ponto neste mês, enquanto dois previram redução de 0,50 ponto e outros dois apostaram na manutenção da taxa.
Em seu balanço de riscos para a inflação à frente, o BC manteve no comunicado a equivalência de riscos para cima e para baixo, mas fez ajustes pontuais.
No risco de alta por uma desancoragem das expectativas de mercado para a inflação por período prolongado, a autarquia incorporou a chance de horizontes mais longos incorporarem impactos "de restrições de oferta de petróleo e seus derivados" diante da guerra no Irã.
Já no risco de baixa por uma eventual desaceleração da atividade global, o Copom passou a dizer que esse risco poderia se materializar não apenas por um choque de comércio, mas também de petróleo.
A diretoria do BC vinha demonstrando preocupação com uma piora nas expectativas de inflação para prazos mais longos sob impacto de efeitos da guerra no Irã. As previsões de mercado para o IPCA em 2027 subiram de 3,80% antes da reunião do Copom em fevereiro para 4,00% nesta semana. Para 2028, a expectativa subiu de 3,50% para 3,61%.
Nesta quarta, a autarquia piorou sua projeção de inflação para 2026 em relação a março, de 3,9% para 4,6%, acima do teto da meta, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. Em relação ao quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa ficou em 3,5%.
Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,00, ante patamar de R$5,20 usado na última reunião.
A meta contínua de inflação é de 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.
A decisão do Copom foi tomada de forma unânime pelo colegiado, em reunião realizada com apenas seis dos nove membros do Copom. Além das duas cadeiras vagas desde o início do ano após o término de mandatos de diretores, o encontro não teve a participação do diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, que se ausentou por conta do falecimento de um familiar.
Mais cedo nesta quarta, o Federal Reserve manteve as taxas de juros estáveis na faixa atual de 3,50% a 3,75% e, em uma decisão dividida sobre sua comunicação, observou o aumento das preocupações com a inflação.
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