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Grupo Ultra deve escolher entre três grupos estrangeiros para vender Oxiteno até o fim de junho

Venda deverá render à dona dos postos Ipiranga cerca de US$ 1,5 bilhão; em maio, grupo já vendeu a rede de farmácias Extrafarma por R$ 700 milhões

31 mai 2021 - 11h42
(atualizado às 12h11)
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Com a disputa afunilada entre o fundo de private equity (que compra participação de empresas) Advent, a fabricante norte-americana de produtos químicos Stepan e a tailandesa Indorama, a venda da química Oxiteno pelo Grupo Ultra deve ser concluída até o fim de junho, apurou o Estadão. A transação, que ajudará a dona da rede de postos Ipiranga a concentrar seus negócios no mercado de óleo e gás, injetará em seu caixa cerca de US$ 1,5 bilhão.

O Ultra colocou à venda no fim do ano passado tanto a Oxiteno quanto a sua rede de farmácias Extrafarma, vendida há poucas semanas para a Pague Menos, por R$ 700 milhões. No caso da venda da Oxiteno, o Bank of America foi contratado pela companhia para conduzir a operação. Na última sexta-feira, 28, ocorreu a entrega das propostas firmes de compra pelo ativo, disse uma fonte próxima à operação.

A Oxiteno produz defensivos agrícolas e matérias-primas usadas para a fabricação de detergentes, por exemplo. Possui 11 unidades industriais no Brasil, Estados Unidos, México e Uruguai, 5 centros de pesquisa e desenvolvimento e 8 escritórios comerciais nas Américas, Europa e Ásia.

Unidade da Oxiteno, que produz defensivos agrícolas e matérias-primas usadas na fabricação de detergentes, por exemplo.
Unidade da Oxiteno, que produz defensivos agrícolas e matérias-primas usadas na fabricação de detergentes, por exemplo.
Foto: Oxiteno/Divulgação / Estadão

O Grupo Ultra, segundo fontes, pretende seguir nos negócios onde encontra sinergia, relacionados a ao mercado de óleo e gás, incluindo nesse bloco os postos Ipiranga, a Ultragaz e a Ultracargo. Um dos focos do grupo é investir na área de refino e a companhia está na disputa pelo controle das refinarias colocadas à venda pela Petrobrás.

Ausência

Nomes apontados como os candidatos mais óbvios para a compra, como a brasileira Unipar, não chegaram a ir à segunda etapa do processo de venda, que começou no início do ano.

Uma das apostas para levar a Oxiteno, dizem fontes, é o fundo norte-americano Advent, que também está estudando a aquisição da petroquímica Braskem - que é, inclusive, a maior fornecedora da Oxiteno. A Odebrecht, rebatizada de Novonor, colocou à venda sua fatia com direito a voto de 50,1% na companhia.

Essa transação está sendo conduzida pelo banco Morgan Stanley e o processo é esperado para ser concluído no segundo semestre, disse uma fonte. O negócio faz parte do processo de recuperação do grupo da família Odebrecht.

O fundo Advent tem dado sinais sobre seu interesse em investir no setor petroquímico no Brasil. A principal indicação nesse sentido foi a contratação de Fernando Musa, que deixou a presidência da Braskem no fim de 2019, após passar dez anos na petroquímica.

A Stepan e a Indorama também já estão presentes no Brasil, com um histórico de aquisições de menor porte nos últimos anos. A primeira está presente no Estado de São Paulo e também em Minas Gerais, enquanto a segunda opera em Pernambuco - presença garantida após a compra dos ativos da italiana M&G no Brasil, por meio de uma fábrica no complexo portuário de Suape, onde produz resina PET.

Procuradas, as partes envolvidas na disputa pela Oxiteno não comentaram.

Estadão
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