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"Mudança de regime" com comando de Warsh no Fed enfrenta obstáculos

31 jan 2026 - 13h53
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Kevin Warsh preenche uma longa lista de requisitos para ser indicado para a chefia do Federal Reserve pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Ele tem laços políticos e sociais de longa data com o republicano, fortes conexões com Wall Street e uma postura impecável.

No entanto, a profundidade e a rapidez com que ele reduzirá as taxas de juros e a agressividade com que buscará sua "mudança de regime" no Fed são questões em aberto.

Trump ‌pediu cortes de juros para o que seria equivalente aos níveis de crise, talvez 1%. Esse é um objetivo que Warsh -- alguém de perfil "hawk" (favorável a juros altos) em seu mandato anterior como diretor do Fed, ‌de 2006 a 2011 -- pode considerar agressivo demais, e que os dados econômicos e as visões de seus 18 colegas no colegiado da instituição podem tornar impossível.

Os contratos futuros de juros continuaram precificando apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual em 2026, partindo da faixa atual de 3,50% a 3,75%, e não se moveram significativamente após Trump anunciar a nomeação de Warsh em uma postagem nas redes sociais.

Da mesma forma, os anos de críticas de Warsh ao Fed -- iniciadas após sua saída do conselho, em 2011, e intensificadas no último ano, quando Trump o considerou para suceder o atual chair, Jerome Powell -- agora enfrentam um desafio: transformar ‍discursos e artigos de opinião em reformas que possam ser aprovadas pelo conselho de diretores do Fed. Além disso, receber a assinatura de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, e ter mudanças liberadas pelo Congresso dos EUA, caso envolvam alterações na lei.

Em outras palavras, mudar pode ser mais fácil de dizer do que de fazer.

Warsh "é um pragmático que não vai querer perder a confiança do mercado fazendo cortes desnecessários", disse Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union.

"Seu longo histórico de preocupação com a inflação sugere que ele não permitirá que a economia ‌superaqueça. Ele tem sido um crítico ferrenho do balanço patrimonial do Fed e do pensamento de grupo. É preciso mais clareza sobre até onde ele ‌pretende ir" na busca por outras mudanças no Fed.

Também pode ser necessário mais do que simplesmente "quebrar algumas cabeças" no Fed, como Warsh disse em uma entrevista à Fox News em julho, referindo-se às pessoas que estão prestes a se tornarem seus colegas.

COMBATENDO A "DERIVA INSTITUCIONAL"

O Fed, particularmente nos últimos 20 anos, tornou-se uma entidade complexa e híbrida que cresceu com a expansão de seu poder durante a crise financeira e ao longo da pandemia. Talvez seja exatamente isso que Warsh e Bessent, do Tesouro, tenham em mente em suas críticas recentes.

A combinação de poderes de política monetária do Fed, considerados competência exclusiva, com o tipo de autoridade regulatória geralmente atribuída ao Poder Executivo e a legislação de controle estabelecida pelo Congresso, deixou até mesmo juízes da Suprema Corte perplexos sobre o papel exato do Fed no sistema federal. É uma questão jurídica complexa com profundas ramificações.

A questão surgiu quando a corte considerou se Trump poderia demitir a diretora Lisa Cook, uma questão que se torna ainda mais intrincada quanto mais distante o Fed for considerado da administração norte-americana.

Algumas partes do que Warsh e outros criticaram como "deriva institucional" poderiam ser resolvidas internamente. Sob a gestão de Powell, e considerando a direção do governo Trump, por exemplo, o Fed já havia interrompido sua participação em um consórcio global sobre mudanças climáticas e reduzido seu trabalho em questões relacionadas à diversidade, equidade e inclusão.

O chair poderia mudar o tom das comunicações do Fed, desencorajar os discursos dos 12 presidentes dos bancos centrais regionais ou mesmo de outros membros do conselho, para controlar mais de perto as mensagens, ou trabalhar mais de perto com Bessent e reformular a relação do Fed com o Tesouro.

Analistas da TD Securities escreveram em uma análise da nomeação que Warsh "parece estar predisposto a fazer mudanças mais fundamentais... particularmente na forma como o comitê aborda as projeções futuras, confiando demais em previsões de curto prazo e em uma maior dependência de dados".

MODELOS ECONÔMICOS

As críticas de Warsh à modelagem e às previsões do Fed podem, na verdade, servir como um teste inicial de suas intenções. Em sua última coletiva de imprensa, Powell lançou um desafio ao próximo chair: "Se a questão é usar modelos melhores, que os apresentem. Onde estão? Nós os aceitaremos".

O grande balanço patrimonial do ‌Fed tem sido um foco particular para Warsh, que se opôs a algumas das medidas de "afrouxamento quantitativo" realizadas enquanto esteve no Fed.

Mas ele pode se ver de mãos atadas também nessa situação.

O balanço patrimonial está agora intimamente ligado ao controle das taxas de juros pelo Fed e fornece liquidez para os bancos e dólares para o mundo. A menos que isso mude, o balanço só pode encolher até certo ponto.

Seu tamanho, a "presença" de mercado citada pelos críticos, "está mais ou menos certo", disse na sexta-feira o chair do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, à CNBC. "Quando a economia cresce, o balanço patrimonial precisa crescer junto."

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