Governo vê lobby de empresas de cartão de crédito em investigação dos EUA sobre Pix
Autoridades avaliam não haver espaço para que avance a investigação sobre a forma de pagamento que concorre com grandes bandeiras, como Mastercard e Visa
BRASÍLIA - Autoridades do governo brasileiro avaliam que a inclusão do Pix no rol das investigações do governo dos Estados Unidos sobre práticas comerciais do Brasil foi motivada por lobby das grandes bandeiras de cartão de crédito, Mastercard e Visa, e não deve avançar.
O Pix não foi mencionado nominalmente no documento sobre a investigação, publicado na noite de terça-feira, 15. Mas o texto cita, entre outros pontos, "diversas práticas injustas" do Brasil para garantir vantagens ao "sistema de pagamentos eletrônico desenvolvido pelo governo".
Pessoas com conhecimento do assunto veem uma ação de lobby das grandes bandeiras de cartões, que concorrem com o Pix, nessa classificação. No entanto, a avaliação é de que não há espaço para que a investigação avance.
O sistema de pagamentos brasileiro, visto como referência internacional, foi responsável por quebrar o duopólio da Visa e Mastercard em transações 24-7 no Brasil. Diferentemente das bandeiras de cartões, que cobram 3% a 5% por transação, o Pix é gratuito.
Para uma pessoa a par do assunto, o efeito prático dessa ação deve ser a desvinculação do Pix como entrega do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O filho dele, deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, está nos Estados Unidos desde janeiro, e é visto como um dos responsáveis pelo anúncio de tarifas de 50% a produtos brasileiros pelo presidente americano, Donald Trump.
O Pix foi lançado em 2020, durante o governo Bolsonaro e na gestão do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, mas os estudos sobre o sistema começaram anos antes, durante na gestão Ilan Goldfajn da autoridade monetária.
Atualmente, a agenda evolutiva do sistema é uma das prioridades do BC, que lançou este ano o Pix Automático e quer avançar em novas modalidades, como o Pix Parcelado e o Pix em Garantia.