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Governo gasta R$1 trilhão com juros da dívida em 2025 e endividamento bruto vai a 78,7% do PIB

30 jan 2026 - 08h45
(atualizado às 12h07)
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A dívida pública bruta do país fechou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), uma alta de 2,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, sob forte impacto do gasto do governo com juros no ano, que atingiu a ‌marca de R$1 trilhão, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central.

O gasto nominal com juros da dívida ‌é o maior já registrado pelo BC e gerou uma pressão de alta de 8,9 pontos percentuais no endividamento bruto, o que foi apenas parcialmente compensado por fatores como o crescimento do PIB, resgates de títulos e valorização do real.

A despesa do governo com juros da dívida não foi ainda maior no ano passado porque a queda do ‍dólar no ano levou a autoridade monetária a registrar ganho de aproximadamente R$100 bilhões em operações de hedge oferecidas ao mercado, o que reduz a conta de juros.

A equipe econômica do governo tem atribuído a alta da dívida pública ao elevado nível da taxa Selic, mantida no maior patamar em quase duas décadas ‌pelo BC para controlar a inflação.

Desconfianças do mercado sobre a gestão fiscal do governo, ‌no entanto, não apenas pressionam a taxa básica, como também contribuem para manutenção em alto patamar dos juros pedidos pelos investidores para financiarem os gastos públicos.

O crescimento da dívida bruta no ano foi suavizado por uma queda do indicador em dezembro ante novembro, terminando 2025 abaixo do esperado pelo mercado, enquanto o setor público consolidado brasileiro apresentou superávit primário no último mês do ano.

O patamar de 78,7% do PIB da dívida pública bruta do país em dezembro ficou abaixo dos 79,0% de novembro e da previsão de 79,5% apontada em pesquisa da Reuters.

Já a dívida líquida do setor público foi a 65,3% do PIB, contra 65,2% em novembro e 61,3% em dezembro de 2024. A expectativa para esse indicador era de 65,8%.

Em dezembro, o setor público consolidado registrou um superávit primário de R$6,251 bilhões, acima da expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters de um saldo positivo de R$3,0 bilhões.

O desempenho mostra que o governo central teve superávit de R$21,572 bilhões no último mês de 2025, enquanto Estados e municípios registraram déficit primário de R$19,783 bilhões e as estatais tiveram saldo positivo de R$4,463 bilhões, mostraram os dados do Banco Central.

Os dados da autarquia mostram que no acumulado do ano, o governo central teve déficit ‌primário de R$58,687 bilhões. O cálculo para cumprimento da meta de déficit zero, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB, desconta gastos com precatórios e indenizações a aposentados, chegando a um rombo menor. O governo informou que a meta do ano foi cumprida.

Em 2025, Estados e municípios tiveram superávit de R$9,537 bilhões, enquanto as estatais apresentaram déficit de R$5,871 bilhões.

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