Ganhar em dólar é vantajoso? Em algumas situações sim, e em outras não; entenda
Vantagem depende da situação econômica específica do país de origem e das flutuações cambiais
Com as economias globais interligadas e a popularização do home-office, muitas pessoas têm procurado por oportunidades de trabalho remoto em empresas sediadas em outros países do mundo. Embora não seja o único que ofereça vagas para estrangeiros, o Estados Unidos é um país que atrai o interesse de muitos por ser economicamente estável, desenvolvido e ter uma moeda forte como o dólar.
A moeda norte-americana é o que desperta o maior interesse de quem mora no Brasil. Com a cotação em alta, com dias seguidos acima dos R$ 5, ganhar em dólar oferece uma vantagem competitiva para quem vai gastar em real. Esse ganho cambial, no entanto, não acontece em todos os países, pois depende da situação econômica específica do lugar onde que você trabalha.
“Se a pessoa vive em um local com uma taxa de câmbio desfavorável como o Brasil, receber em dólar e gastar em real pode ser muito conveniente. Mas é sempre bom observar as flutuações cambiais e o custo de vida onde se vive. Considerando o Brasil, é bem interessante, mas na zona do Euro, por exemplo, não teria o efeito cambial a favor, visto que 1 dólar equivale a algo como 0,95 de Euro em média”, explica o professor da FIA Business School, José Carlos de Souza Filho, ao Terra.
Rafael Zattar, analista financeiro da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), reforça que ganhar em dólar pode ser vantajoso em certos casos. “Em algumas situações, receber em dólar pode fornecer proteção contra inflação e volatilidade econômica em comparação com moedas locais mais fracas ou sujeitas à instabilidade”.
Conforme fica claro na avaliação dos dois especialistas, a vantagem de ganhar em dólar depende da situação econômica específica do país de origem e das flutuações cambiais entre o dólar e a moeda local. É importante lembrar também, no entanto, que o dólar é uma moeda amplamente aceita em transações internacionais, facilitando pagamentos e transferências em todo o mundo.
Conversão da moeda
Para quem recebe em dólar, uma dúvida que pode ser frequente é em relação à conversão da moeda. Afinal, é melhor transferir todo o valor para real ou manter parte do dinheiro no exterior? Segundo os dois especialistas, essa é uma escolha que depende de dois fatores: a estabilidade econômica local e os objetivos financeiros individuais.
“Manter parte no exterior pode ser uma estratégia interessante em termos de diversificação e para se fazer um hedge [proteção de ativo] cambial: se a moeda local perde valor e se está protegido”, diz José Carlos de Souza Filho. “[Já] se a pessoa mora no Brasil, transferir tudo para a moeda local, de certa forma, minimiza riscos, pois os gastos, mesmo que em parte estejam atrelados ao dólar, serão no Brasil”, completa Zattar.
Geralmente, quem recebe em dólar efetua sua movimentação através da conversão em moeda local, o que é feito por transferências bancárias internacionais, serviços de pagamento digital ou por meio de contas bancárias que atuam com várias moedas. Ao escolher uma opção, é fundamental considerar as taxas de câmbio e taxas de serviço envolvidas, para garantir que a conversão seja feita de maneira eficiente e econômica.