Galípolo defende BC conservador para calibrar juros e fala em "movimentos suaves"
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta-feira a postura conservadora da autarquia de consumir dados para ganhar confiança sobre a "calibragem" de juros prevista para março, defendendo serenidade e parcimônia no processo decisório.
Falando em evento do BTG Pactual, Galípolo disse que é comum agentes de mercado defenderem cortes mais fortes ou altas mais intensas da taxa Selic a depender do ciclo. Ele, então, comparou a autarquia a um transatlântico, argumentando que ela não pode fazer grandes mudanças e se move de maneira mais comedida.
"O Banco Central tem que tentar suavizar os ciclos. Faz parte do nosso mandato -- como está escrito, e a gente repete o nosso comunicado -- a gente fazer movimentos mais suaves", afirmou.
"Dado o tamanho da incerteza em projeções, a atitude do Copom (Comitê de Política Monetária) foi ser mais conservador em esperar 45 dias para que a gente possa iniciar esse ciclo com maior confiança."
Na B3, as opções de Copom precificavam na última segunda-feira -- dado mais recente -- 66,04% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 24% de chance de redução de 25 pontos-base e 4,25% de possibilidade de baixa de 75 pontos-base.
No evento, o presidente do BC disse que sua fala desta quarta não buscaria fazer qualquer reparo na comunicação do BC e acrescentou que a sinalização de curto prazo dada pela autarquia está sendo bem capturada pelo mercado.
Em janeiro, o BC manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março.
Galípolo evitou dar sinais sobre o que será feito nas decisões de política monetária no restante do ano, afirmando que um sinal nesse sentido poderia causar mais danos do que benefícios diante do cenário incerto.
Em relação à incerteza que poderá ser gerada pelo período eleitoral neste ano, Galípolo disse que a forma de atuação do BC não muda diante de pesquisas eleitorais e acrescentou que o horizonte relevante da política monetária ultrapassa o período das campanhas para a presidência.
Ele afirmou ainda que o mercado de trabalho no Brasil segue bastante apertado -- em um dos fatores que o BC tem colocado como elemento de preocupação pelos efeitos sobre os preços -- e defendeu que a função do banqueiro central é combater a inflação independentemente das causas.