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FMI aprova empréstimo de US$ 50 bilhões à Argentina

Plano econômico argentino, apoiado pelo fundo, pretende 'colocar a dívida pública em trajetória firme de baixa e fortalecer a redução da inflação'

20 jun 2018 - 21h04
(atualizado às 23h22)
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A diretoria executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou nesta quarta-feira, 20, pelo prazo de três anos, um empréstimo de US$ 50 bilhões à Argentina, chamado contrato de stand-by (SBA, na sigla em inglês).

"A decisão da diretoria permite a autoridades (argentinas) fazer um saque imediato de US$ 15 bilhões", informa a instituição em comunicado.

De acordo com o FMI, metade dessa quantia (US$ 7,5 bilhões) será usada para "apoio orçamentário". "A quantia remanescente do suporte financeiro do FMI (US$ 35 bilhões) será disponibilizada ao longo da duração do contrato, sujeito a revisões trimestrais pela diretoria executiva."

Ainda segundo o comunicado, Buenos Aires indicou ter intenção de sacar a primeira parcela do empréstimo, mas, subsequentemente, tratar o restante do contrato como "precaução".

"O plano econômico das autoridades argentinas apoiado pelo SBA visa fortalecer a economia do país ao restaurar a confiança do mercado pela via de um programa macroeconômico consistente que minore necessidades financeiras, coloque a dívida pública da Argentina em uma trajetória firme de baixa e fortaleça o plano de reduzir a inflação pela definição de metas de inflação mais realísticas e pelo reforço da independência do banco central", segue a nota do FMI.

A instituição conclui apontando que "o plano inclui passos para proteger os mais vulneráveis da sociedade pela manutenção de gastos sociais e, caso condições sociais venham a se deteriorar, pela provisão de espaço para maiores gastos na rede de seguridade social da Argentina".

Crescimento. O chefe da divisão do FMI para a América do Sul, Roberto Cardarelli, projeta que o crescimento econômico da Argentina vai acelerar a partir de 2019.

"Por tudo o que ocorreu este ano, é normal que crescimento desacelere. Mas a estabilização macroeconômica vai afastar a volatilidade e fazer com que a atividade na Argentina volte a ganhar fôlego no próximo ano e nos anos subsequentes", afirmou Cardarelli, em coletiva de imprensa em Washington.

A visão otimista foi compartilhada pelo diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner. "Acreditamos que, após o programa, as reformas vão ganhar novo fôlego, vão gerar emprego e melhorar as condições de vida dos argentinos", comentou.

A diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde, por sua vez, ressaltou que o empréstimo de US$ 50 bilhões foi feito "sob medida" aos pedidos das autoridades argentinas e que ela crê que as reformas propostas pelo presidente Mauricio Macri sejam aprovadas.

Cardarelli foi na mesma linha. "Acreditamos que Argentina vai cumprir com as metas acertadas conosco", disse. Ele afirmou, ainda, que o câmbio na Argentina tem de ficar "livre para se ajustar às condições de mercado".

Reação. A provedora de índices financeiros MSCI elevou nesta quarta-feira a classificação da Argentina de "mercado de fronteira" para "mercado emergente".

Em comunicado, a empresa americana explica que a reclassificação sucede "ampla aceitação" por participantes de mercado consultados no processo. "Em particular, investidores institucionais internacionais expressaram sua confiança na capacidade do país de manter as atuais condições de acessibilidade ao mercado acionário", afirma a MSCI.

Ainda assim, a turbulência cambial vivida recentemente em Buenos Aires não escapou às considerações da provedora de índices. "A MSCI também esclarece que revisaria sua decisão de reclassificação se as autoridades argentinas vierem a introduzir qualquer tipo de restrições à acessibilidade ao mercado, como controles de capital ou de câmbio."

Estadão
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