Fiesp e varejo criticam fim da 'taxa das blusinhas' e pedem que Congresso devolva MP
Governo Lula anunciou fim da cobrança na noite de terça-feira, em Brasília; setor produtivo pede isonomia tributária e alerta para alta no desemprego e impacto no PIB
O fim da chamada 'taxa das blusinhas' gerou críticas e preocupações entre os setores da indústria e do varejo brasileiro. O temor é que a medida traga desemprego, inviabilize empresas nacionais e prejudique a economia doméstica. A isenção das compras até US$ 50 feitas em plataformas online foi anunciada na noite de terça-feira, 12, pelo governo Lula, numa transmissão ao vivo do Palácio do Planalto.
Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a medida gera uma concorrência desleal que destrói empregos no Brasil e sabota a economia nacional. Segundo a entidade, a presidência do Congresso precisa devolver a MP do governo que isenta de impostos o e-commerce internacional.
A zeragem da taxa das blusinhas, que entra em vigor nesta quarta-feira, deve provocar desemprego e fechamento de empresas, segundo o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), entidade que reúne várias grandes empresas do setor.
"O fim do imposto de importação na venda cross border acarretará riscos para a economia, cujas consequências poderão comprometer a viabilidade das empresas e o emprego de milhares de trabalhadores, não apenas no presente imediato, mas também num futuro muito próximo", disse a associação em nota.
O IDV acrescentou que o fim da taxa deve provocar "queda significativa nas vendas dos produtos nacionais no mercado interno" e prejudicar empresas de todos os portes, que terão dificuldades de competir com produtos importados "em boa parte subfaturados e ainda com imposto zero".
"O varejo quer isonomia tributária. Se houver zero de Imposto de Importação na venda cross border é preciso ter zero de imposto também para o produto nacional com preço de até US$ 50,00", disse o IDV na nota.
O IDV tem cerca de 80 associados, entre eles grandes empresas do varejo com capital aberto, como Americanas, Assai, Renner e Magazine Luiza.
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