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AIE prevê maior queda na demanda global de petróleo após crise no Estreito de Ormuz

Agência aponta redução acelerada das reservas mundiais e alerta para o risco de novos aumentos nos preços diante do conflito no Oriente Médio

13 mai 2026 - 09h41
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A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo sua projeção para a demanda global de petróleo em 2026 após a crise provocada pelo quase fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira, 13, a agência afirmou que o mundo está recorrendo às reservas estratégicas em um "ritmo recorde" diante das dificuldades no fornecimento de petróleo do Golfo causadas pela guerra no Oriente Médio.

A AIE agora prevê uma queda de 420 mil barris por dia na demanda global de petróleo em 2026. Na projeção anterior, a redução estimada era de 80 mil barris diários.

A agência também revisou a expectativa para o segundo trimestre deste ano e passou a estimar retração de 2,4 milhões de barris por dia na demanda mundial.

Segundo o relatório, as reservas globais de petróleo caíram 117 milhões de barris em abril, após já terem registrado recuo de 129 milhões de barris em março, logo após o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

"A rápida redução das reservas, em meio às perturbações persistentes no mercado, pode antecipar novas disparadas nos preços do petróleo", alertou a AIE.

A oferta mundial também foi afetada. Em abril, o fornecimento global caiu 1,8 milhão de barris por dia, chegando a 95,1 milhões de barris diários. Desde fevereiro, a perda acumulada de oferta é estimada em 12,8 milhões de barris por dia.

Atualmente, a região enfrenta um bloqueio duplo. O Irã restringiu, na prática, a circulação no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo e do gás natural liquefeito exportados pelo Golfo. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm desde abril um bloqueio naval aos portos iranianos para dificultar as exportações de petróleo do país.

Segundo a AIE, o cenário levou diversos países a utilizarem suas reservas estratégicas. Nações asiáticas, mais dependentes do petróleo do Golfo, adotaram medidas emergenciais de economia de combustível.

Em março, a agência anunciou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus 32 países-membros. Até agora, cerca de 164 milhões de barris já foram colocados no mercado.

A entidade afirmou ainda que espera uma aceleração na liberação dessas reservas nos próximos meses, especialmente com a aproximação do verão no hemisfério norte, período de maior demanda por combustíveis.

No cenário considerado mais provável pela agência, o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz começaria a ser retomado gradualmente em junho. Ainda assim, a recuperação da oferta deve ser lenta devido aos danos à infraestrutura e aos impactos logísticos provocados pelo conflito. /AFP

Estadão
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