Inadimplência bate recorde e atinge 74,8 milhões de consumidores em abril, diz CNDL e SPC
Pesquisa destacou o crescimento das dívidas por Água e Luz, com crescimento de 22,38%
A inadimplência atingiu 74,82 milhões de brasileiros no mês de abril, segundo acompanhamento do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgado nesta quarta-feira, 13. O número representa 44,69% da população adulta e representa um novo recorde consecutivo de inadimplência.
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De março para abril, o número de devedores cresceu 0,81%, enquanto na comparação com abril do ano passado, o crescimento foi de 9,25%.
“Mesmo com programas de renegociação, a ausência de uma margem de segurança faz com que qualquer imprevisto se torne catastrófico. Sem uma reforma que amplie a renda real, vivemos um ‘efeito porta giratória': o cidadão limpa o nome hoje para se endividar amanhã, perpetuando um ciclo onde a quitação de uma dívida antiga é apenas o prelúdio de um novo atraso”, considera o presidente da CNDL, José César da Costa.
O levantamento mostrou que o inadimplente brasileiro deve, em média, R$ 5.111,64. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,34 empresas. Apesar da média alta, 41,75% dos inadimplentes têm dívidas de até R$ 1.000.
Com relação ao perfil dos inadimplentes, a maior concentração de devedores tem entre 30 e 39 anos (23,63%), somando 18,23 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (53,77%) da população nesta faixa etária está negativada.
Não há diferenças significativas entre a presença de homens e mulheres endividados, com 51,39% das mulheres inadimplentes e 48,61% dos homens.
Observando os resultados por região, o maior percentual de inadimplentes está na região Norte, onde 48,58% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 40,69% da população adulta.
Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, "sair da inadimplência exige mais do que apenas querer pagar"
“O primeiro passo é listar todas as dívidas e priorizar aquelas com juros mais altos ou que possuem bens em garantia. Antes de aceitar qualquer acordo, o consumidor deve calcular sua ‘capacidade real de pagamento’, garantindo que a parcela caiba no orçamento sem comprometer as contas básicas. Negociar sem essa margem é preparar o terreno para um novo atraso. A estratégia deve ser substituir dívidas caras por modalidades mais baratas e, acima de tudo, interromper imediatamente o uso de crédito rotativo enquanto o equilíbrio não for restabelecido”, diz.
O que pesou em abril
Na passagem de março para abril, o número de dívidas apresentou alta de 1,94%. Por setor, destacou-se a evolução das dívidas com Água e Luz, com crescimento de 22,38%, seguido de Comunicação (17,73%), Bancos (16,47%) e Comércio (2,35%).
Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 66,65% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,23%), o setor de Outros com 9,16% e Comércio com 8,43% do total de dívidas.

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