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Fed: dirigentes citam disposição de elevar juros caso riscos à inflação se materializem, diz ata

Membros do conselho esperam que a inflação fique elevada por mais tempo nos Estados Unidos do que era previsto na reunião de março

22 mai 2024 - 16h24
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Vários dirigentes do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, mencionaram na última reunião da autoridade a disposição de apertar ainda mais a política monetária caso os riscos para a inflação se materializem de uma forma que tal ação se torne apropriada.

Segundo a ata do encontro, divulgada nesta quarta-feira, 22, os membros do conselho concordaram que não que seria apropriado reduzir a meta do Fed Funds até que ganhem maior confiança de que a inflação está se movendo de forma sustentável em direção à meta 2%.

A última reunião de polícia monetária do Fed aconteceu em 30 de abril e 1º de maio e manteve os juros inalterados no país.

Os dirigentes discutiram a manutenção da atual orientação política restritiva durante mais tempo, caso a inflação não dê sinais de avançar de forma sustentável para 2%, ou de reduzir a contenção política no caso de um enfraquecimento inesperado das condições do mercado de trabalho.

Embora a política monetária tenha sido considerada restritiva, muitos participantes do encontro comentaram a sua incerteza quanto ao grau de restrição. Esses dirigentes consideraram que a incerteza advinha da possibilidade de que as taxas de juro elevadas possam ter efeitos menores do que no passado, de que as taxas de juro de equilíbrio a longo prazo possam ser mais elevadas do que se pensava anteriormente, ou de que o nível do produto potencial possa ser inferior ao estimado.

Os participantes da reunião avaliaram, no entanto, que a política monetária permaneceu bem posicionada para responder à evolução das condições econômicas e aos riscos para as perspectivas, segundo documento.

Inflação elevada por mais tempo

Os dirigentes do Fed esperam que a inflação fique elevada por mais tempo nos Estados Unidos do que era previsto na reunião de março. Mesmo assim, a desaceleração à meta de 2% ainda é o cenário mais provável no médio prazo, segundo consta na ata.

O documento diz que os dirigentes reconhecem a ausência de progresso na desinflação no primeiro trimestre deste ano, e estão alertas para o avanço nos preços, que segue excessivamente incerto. Eles identificaram avanço no núcleo de serviços, com exceção de moradias, e isto deve mantê-los "muito atentos aos riscos de inflação".

Mesmo assim, eles afirmaram ver maior equilíbrio nos riscos entre metas de emprego e de inflação, e vários dirigentes esperam que a inflação de serviços não habitacionais volte a cair à medida que o crescimento dos salários abranda no país.

No documento, alguns participantes apontaram preocupações com eventos geopolíticos, que podem provocar interrupções na oferta de algumas commodities e acelerar a inflação em determinados setores e pesar sobre o crescimento econômico, que no momento segue avançando a ritmo forte.

Ritmo mais lento

A equipe técnica do Fed prevê que a inflação total e subjacente diminua este ano em relação ao ano passado, embora o ritmo esperado de desinflação seja mais lento do que na projeção de março, uma vez que os dados disponíveis apontaram para uma maior persistência da inflação nos próximos meses.

Se espera que a inflação diminua ainda mais para além deste ano, à medida que a procura e a oferta nos mercados de produtos e de trabalho continuavam a atingir um melhor equilíbrio. Em 2026, a expectativa da equipe é de que a inflação total e básica dos preços do PCE se aproxime dos 2%, segundo o documento.

Os riscos para as previsões de inflação foram considerados ascendentes, refletindo a possibilidade de materialização de perturbações do lado da oferta ou de dinâmicas de inflação inesperadamente persistentes, segundo a publicação.

Os riscos em torno da previsão para a atividade econômica foram vistos como distorcidos no sentido descendente, com o fundamento de que uma inflação mais persistente poderia resultar em condições financeiras mais restritivas do que na projeção de referência.

Além disso, a deterioração da situação financeira das famílias, especialmente daquelas com rendimentos mais baixos, poderá revelar-se um obstáculo maior à atividade do que o previsto pelo corpo técnico, afirma a publicação.

A equipe espera que a taxa de desemprego diminua ligeiramente ao longo de 2024, à medida que o funcionamento do mercado de trabalho melhore, e permaneça praticamente estável a partir de então./Matheus Andrade, Gabriel Tassi, Gabriel Bueno e Laís Adriana

Estadão
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