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Falta mais comprometimento real com a questão ambiental, diz Sergei Epof, da Panasonic

Vice-presidente da companhia no Brasil detalha como a gigante japonesa avança nas questões sustentáveis e enfrenta gargalos como o da logística reversa

12 mai 2025 - 11h11
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O lado mais conhecido da Panasonic, pelo menos para o consumidor, é o das geladeiras e outros tipos de eletrodomésticos como os secadores de cabelo ou as máquinas de lavar. Em entrevista ao Estadão, o vice-presidente da companhia no País, Sergei Epof, revela outro lado: o de como a empresa de origem japonesa está enfrentando os desafios das mudanças climáticas, ao assumir um compromisso de cortar o equivalente a 1% de todas as emissões globais em suas operações pelo mundo até 2050.

Segundo o executivo, os processos visam não apenas ações da porta para dentro das fábricas, mas também criar meios para outros elos da cadeia de produção do setor alcançarem metas semelhantes. "Temos visto muito mais as mudanças climáticas afetando a sociedade de forma muito próxima. Não está mais aqui ou ali, hoje já acontece. Teve muitos casos aqui no Brasil, como vimos, por exemplo, no último ano."

Leia a seguir trechos da entrevista de Epof à TV Estadão, em mais uma edição da série A Era do Clima, rumo à COP 30.

O tema da sustentabilidade é prioritário para a Panasonic? Em que termos?

A COP-30, pela primeira vez no Brasil, ocorre em um momento em que as mudanças climáticas ganham cada vez mais força, e é fundamental explicar como estamos contribuindo com essa pauta, que é central para a Panasonic. Essa agenda é natural para nós: pela forma como a empresa nasceu e pela sua filosofia. A Panasonic é uma companhia centenária, presente em mais de 80 países e com um histórico de atuação em temas de ESG, antes mesmo de o termo existir. Quando olhamos para a agenda da COP-30 — energia sustentável, adaptação às mudanças climáticas, preservação de florestas, biodiversidade e financiamento para países em desenvolvimento — estamos envolvidos em praticamente todos esses temas. No Brasil, muita gente conhece a Panasonic pelos micro-ondas, geladeiras e pilhas. Mas nossa atuação vai muito além disso. A empresa nasceu no Japão com a missão de contribuir para a sociedade — nunca com foco em armamentos, por exemplo. Nosso propósito é desenvolver produtos e serviços que tornem a vida mais confortável e sustentável.

Quais as metas assumidas pelo grupo?

Temos um compromisso global com a redução de CO2, chamado Green Impact, lançado há quatro anos. A meta é reduzir 300 milhões de toneladas até 2050 — o equivalente a cerca de 1% das emissões globais atuais, que giram em torno de 30 bilhões de toneladas. Só até 2030, nosso foco é cortar 100 milhões de toneladas, começando pelas nossas próprias operações. No Brasil, todas as nossas três fábricas já operam com emissão de carbono zero: a planta de Manaus (que produz micro-ondas, componentes automotivos e eletrônicos), a fábrica de pilhas e baterias em São José dos Campos e a de refrigeradores e lavadoras em Extrema, Minas Gerais. Na agenda ambiental, temos ainda parcerias como a que mantemos com a Prefeitura de Extrema, em um projeto de recuperação de bacias hidrográficas e plantio de árvores. Acreditamos que soluções vêm da colaboração: quando olhamos para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por exemplo, a ODS 17 é justamente sobre parcerias. E nosso compromisso de reduzir CO2 envolve tanto nossas próprias operações quanto apoiar outras empresas a diminuírem suas emissões, por meio de tecnologias e projetos.

Segundo Sergei Epof, os processos da Panasonic visam não apenas ações da porta para dentro das fábricas, mas também criar meios para outros elos da cadeia de produção do setor alcançarem metas semelhantes
Segundo Sergei Epof, os processos da Panasonic visam não apenas ações da porta para dentro das fábricas, mas também criar meios para outros elos da cadeia de produção do setor alcançarem metas semelhantes
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Há exemplos mais concretos destes desenvolvimentos tecnológicos?

Um exemplo é a Union Rhac, empresa do grupo Panasonic que atua em cogeração de energia e hoje lidera projetos ligados a biogás e biometano — fontes renováveis que podem substituir o gás natural, por exemplo. Essa tecnologia permite transformar resíduos de aterros sanitários ou da agricultura, como o bagaço da cana, em biometano, um combustível mais limpo. Já no Japão e na Alemanha, temos plantas que operam 100% com energia renovável, combinando solar, baterias e hidrogênio. Essas soluções ainda demandam viabilidade econômica para serem implementadas em larga escala no Brasil, mas acreditamos que têm potencial.

Vocês também atuam no setor de baterias automotivas, além das pilhas e outros produtos. De uma forma geral, a empresa vem avançando no tema da logística reversa?

No caso das baterias automotivas e data centers, por exemplo, há um foco crescente em projetos que prolonguem a vida útil dos equipamentos e favoreçam a economia circular. Um exemplo local é o programa Reuse, em parceria com o Instituto Akatu e a Ecoassist, que incentiva a devolução de eletrodomésticos antigos para reciclagem, oferecendo descontos na compra de produtos mais eficientes, como geladeiras que consomem até 48% menos energia do que o mínimo exigido pelo Inmetro. Hoje já temos mais de 8 mil pontos de coleta espalhados pelo Brasil. Mas sabemos que os desafios persistem, especialmente a logística reversa num país de dimensões continentais como o Brasil, onde os custos são altos e a infraestrutura limitada. A logística ainda é o maior gargalo nesse processo, mas temos avançado. As empresas vêm cumprindo as metas definidas pelo governo para reciclagem e resíduos sólidos, com ampliação dos pontos de coleta e parcerias estratégicas. No caso das baterias automotivas, de forma específica, há debates sobre o impacto ambiental, mas também soluções emergindo. Por exemplo, baterias que saem dos carros podem ser reutilizadas para armazenamento de energia em residências, dando uma segunda vida útil a esses equipamentos. Ou seja, a cadeia está evoluindo para se tornar cada vez mais sustentável.

Você, como cidadão, tem uma expectativa definida sobre a COP?

É uma reunião muito importante, porque quanto mais os governos se alinharem no tema dos compromissos com as emissões, para nós será bom porque isso já está no nosso DNA. Para quem é provedor de tecnologia e de soluções que contribuem para o escopo ambiental quanto maior o comprometimento, mais ajuda. Prefiro, portanto, que se faça menos coisas, mas que elas sejam completadas. Gostaria de ver um pouco mais de comprometimento real. Como cidadão, primeiro, tento fazer a minha parte, trabalho numa empresa que contribui, me dá muito orgulho trabalhar numa empresa que está muito evoluída nesse processo, e também faço todo o trabalho de divulgação disso.

Estadão
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